Câncer Colorretal Familiar Comum

Aproximadamente 30% dos pacientes com câncer colorretal (CaCR) têm um histórico familiar da doença, devido a fatores genéticos, exposições comuns ou ambos. Algumas famílias com história de câncer colorretal são portadoras de síndromes genéticas que causam o câncer, mas são responsáveis ​​por apenas cerca de 5% dos casos de CaCR.

A maioria das famílias com histórico de CaCR e/ou adenomas não são portadoras de síndromes genéticas e representam o CaCR familiar comum. Nossa compreensão da predisposição familiar para CaCR aumentou rapidamente devido aos avanços das tecnologias de sequenciamento genético de última geração.

A história familiar deve incluir o número de parentes de primeiro grau com CaCR e suas idades no momento do diagnóstico. Apenas saber que existe algum histórico familiar, sem determinar a idade de início, o grau de parentesco e o número de membros da família afetados, não é um forte preditor de quem desenvolverá CaCR.


Qual é o risco para o câncer colorretal com parente de primeiro grau afetado?
Qual é o risco para o câncer colorretal com parente de segundo grau afetado?
Qual é a importância da idade do diagnóstico do parente de primeiro grau com CaCR?
Triagem de câncer colorretal em pacientes com histórico familiar de câncer colorretal ou pólipo avançado
Quando interromper a triagem na presença de história familiar de câncer colorretal ou pólipo avançado
Modificação dos fatores de risco para o câncer colorretal


Qual é o risco para o câncer colorretal com parente de primeiro grau afetado?

O câncer colorretal familiar comum, aproximadamente 25% dos pacientes, caracteriza-se por uma história de CaCR (ou adenoma avançado) em 1 ou mais parentes, mas não carregam mutações genéticas associadas a síndromes de câncer hereditárias.

Indivíduos com histórico familiar de CaCR têm maior risco de desenvolver CaCR; a magnitude do risco depende do número de parentes com CaRC, se os parentes são de primeiro grau (pai, irmão ou filho) ou de segundo grau e a idade em que seus parentes receberam o diagnóstico de CaCR.

Estudos individuais e revisões sistemáticas agrupadas relatam um aumento importante na incidência do CaCR quando parentes de primeiro grau apresentam a doença, e quanto maior o número de parentes comprometidos maior é este risco.

Quando comparado com pessoas sem história familiar de CaCR, a presença de um parente de primeiro grau com CaCR aumenta o risco em 2 vezes, dois parentes de primeiro grau aumentam em 3 vezes o risco e três ou mais parentes aumentam em 6 vezes o risco de desenvolver o CaCR.

Qual é o risco para o câncer colorretal com parente de segundo grau afetado?

Os estudos sobre a influência de parentes de segundo grau com CaCR, sem parentes de primeiro grau afetados, são controversos em relação ao aumento do risco. No momento, indivíduos com apenas parentes de segundo grau com CaCR devem ser considerados de risco médio para fins de triagem.

Qual é a importância da idade do diagnóstico do parente de primeiro grau com CaCR?

A idade do diagnóstico de CaCR em um parente afeta o risco de CaCR. Uma revisão sistemática demonstrou que em pessoas com um parente de primeiro grau que receberam um diagnóstico de CaCR com 50 anos de idade ou menos, o risco relativo de CaCR foi de 3,55 em comparação com 2,18 para indivíduos com parente de primeiro grau que receberam um diagnóstico de CaCR com idade superior a 50 anos.

A maioria das evidências apoiam o conceito que existe um continuum de risco de CaCR com base na idade do diagnóstico no parente de primeiro grau, portanto, quanto mais jovem for o parente com CaCR, maior é o risco, assim, a definição da idade de 50 ou 60 anos para definir se o risco é maior ou menor não é baseado em evidências científicas.

O estudo também descobriu que o risco de CaCR é afetado pela idade do diagnóstico de CaCR do parente de primeiro grau e pela idade do indivíduo submetido à triagem do CaCR. Entre as pessoas submetidas à triagem do CaCR, o maior risco foi encontrado em pessoas com menos de 50 anos que tiveram um parente de primeiro grau que recebeu um diagnóstico de CaCR antes dos 40 anos, em comparação com pessoas sem histórico familiar de CaCR.

Iniciando a triagem aos 40 anos (ou 10 anos mais jovem do que a idade de diagnóstico do parente de primeiro grau) em pessoas com histórico familiar de CaCR perde-se aproximadamente apenas 3% de casos possíveis.

Triagem de câncer colorretal em pacientes com histórico familiar de câncer colorretal ou pólipo avançado

O US Multi-Society Task Force (MSTF) em câncer colorretal recomenda que, se houver documentação de que um parente de primeiro grau tinha um adenoma avançado (adenoma ≥1 cm, ou com displasia de alto grau ou com elementos vilosos) ou pólipo que requer excisão cirúrgica ou lesão serrilhada avançada documentada (pólipo serrilhado séssil ≥10 mm ou com displasia citológica e adenoma serrilhado tradicional ≥10 mm), isso deve ter o mesmo peso que ter um parente de primeiro grau com CaCR ao sugerir programas de triagem.

Embora, em minha experiência, os pacientes muitas vezes não sabem que tipo de pólipo seu parente tinha, o que é consistente com a descoberta de que os indivíduos muitas vezes não sabem que tipo de pólipo tinham no passado.

Quando avaliar a história familiar para o câncer colorretal

A avaliação da história familiar de CaCR ou pólipos de cólon entre parentes de primeiro grau deve começar na consulta inicial e repetida a cada três a cinco anos, desde que o paciente seja elegível para a triagem contínua com base em sua idade e quaisquer comorbidades.

A avaliação da história familiar antes dos 40 anos identifica os pacientes que exigem o rastreamento antes da idade normal de início para pacientes de risco médio e aqueles que também precisem do teste genético.

A história da família evolui com o tempo; portanto, a avaliação da história familiar deve ser repetida periodicamente conforme o paciente amadurece. Os familiares podem desenvolver cânceres que afetam a frequência sugerida de triagem para o paciente. 

Obter uma história familiar de CaCR para orientar o rastreamento é custo-efetivo, com um custo por ano de vida ganho semelhante ao de outras tecnologias amplamente aceitas. 

Limitações da avaliação da história familiar para o câncer colorretal

A idade do paciente, o tamanho da família (que, se pequeno, pode mascarar o reconhecimento de uma mutação genética como a causa do câncer em uma família), bem como a possibilidade de paternidade incerta, devem ser considerados ao interpretar a história familiar. Estudos mostram que o relato da história familiar de um paciente pode ser impreciso. 

Triagem para pessoas com história familiar de câncer colorretal (CaCR)

Para pacientes que têm uma história familiar de câncer colorretal (CaCR) ou adenoma avançado documentado ou lesão serrilhada avançada, mas não têm uma síndrome de câncer familiar geneticamente hereditário de alto risco, as informações obtidas durante a história familiar são usadas para orientar a idade de iniciar o rastreamento, frequência dos exame e tipo de exame para o rastreamento.

A obtenção do histórico familiar permite a determinação do número de parentes de primeiro grau diagnosticados com QUALQUER um das seguintes condições:

  • Câncer colorretal (CaRC)
  • Pólipo avançado documentado com QUALQUER um das seguintes características:
  • Adenoma avançado

-Tamanho do adenoma ≥1 cm

-Adenoma com displasia de alto grau

-Adenoma com elementos vilosos

  • Lesão serrilhada avançada

-Pólipo serrilhado séssil (SSP) ≥1 cm

-Adenoma serrilhado tradicional ≥1 cm

-SSP com displasia citológica

Assim, quando um ou mais parente de primeiro grau for diagnosticado em qualquer idade, comece a prevenção aos 40 anos, ou 10 anos antes do diagnóstico do parente de primeiro grau, o que ocorrer primeiro (ou no caso de um pólipo avançado, na idade de diagnóstico do pólipo avançado, se for anterior). Sugere-se a colonoscopia a cada cinco anos. Se o paciente recusar a colonoscopia, o teste imunoquímico fecal (FIT) anual deve ser oferecido.

Se a única história familiar for um parente de primeiro grau com um pólipo NÃO claramente documentado como adenoma avançado ou lesão serrilhada, sugere-se que o paciente seja rastreado como um paciente de risco médio, devido à potencial imprecisão da história familiar. Isso contrasta com os pacientes cujo parente de primeiro grau tem uma história documentada de adenoma avançado ou lesão serrilhada, que devem ser examinados de forma semelhante àqueles com história familiar de CaCR, conforme indicado acima.

Idade para iniciar o rastreamento na presença de história familiar de câncer colorretal ou pólipo avançado

Inicia-se o rastreamento aos 40 anos ou 10 anos antes do diagnóstico do parente de primeiro grau mais jovem (ou no caso de um pólipo avançado, na idade de diagnóstico do pólipo avançado, se for anterior), como parte das recomendações de rastreamento aprimoradas.

Para pacientes com história familiar, a justificativa para iniciar a triagem aos 40 anos ou 10 anos antes da idade de diagnóstico do parente de primeiro grau mais jovem é que os CaCRs em tais pacientes podem ocorrer no início da vida, não incomum na década de 40 ou mesmo nos 30 anos. 

Incidência de câncer colorretal de acordo com a idade e história familiar

O risco do paciente aos 40 anos é, portanto, geralmente comparável ao risco de uma pessoa de risco médio aos 50 anos, que é a idade usual em que as pessoas de risco médio começam o rastreamento. O risco relativo é maior na faixa dos 30 e 40 anos e diminui à medida que a pessoa envelhece. O início da triagem 10 anos antes da idade em que o câncer foi diagnosticado no parente afetado leva em consideração o aumento adicional do risco relacionado ao CaCR de início precoce no membro da família.

 

Risco de câncer colorretal associado a um parente de primeiro grau com câncer colorretal, por idade do paciente

Com que frequência é realizado o rastreamento na presença de história familiar de câncer colorretal ou pólipo avançado?

Recomenda-se fazer a prevenção e triagem com a colonoscopia a cada cinco anos. Há evidências científicas de que a colonoscopia de rastreamento deve ser repetida em intervalos de cinco anos em pessoas com histórico familiar de CaCR ou pólipo avançado. 

O rastreamento por colonoscopia reduz o risco de CaCR por apenas cinco anos para aqueles com um parente de primeiro grau com CaCR, mas este risco para a CaCR retorna à linha de base após cinco anos. Se o paciente recusar a colonoscopia e a pesquisa de sangue oculto for usado para triagem, este deverá ser realizado anualmente. 

Escolha do teste de triagem na presença de história familiar de câncer colorretal ou pólipo avançado

A colonoscopia é o teste preferido para pacientes de alto risco, conforme definido acima. Entre os testes de triagem, a colonoscopia tem a maior sensibilidade para CaCR e para adenomas.

Sensibilidade estimada, especificidade e mortes específicas do câncer evitadas para cada estratégia de rastreamento do câncer colorretal

Se o paciente recusar a colonoscopia, o exame de pesquisa de sangue oculto nas fezes é a alternativa sugerida e deve ser realizado anualmente. 

A colonoscopia tem melhor sensibilidade do que a pesquisa de sangue oculto nas fezes para adenomas avançados e CaCR. A sensibilidade única da pesquisa de sangue oculto nas fezes para CaCR é de 79%, mas para adenoma avançado apenas 30%. 

Quando interromper a triagem na presença de história familiar de câncer colorretal ou pólipo avançado

Embora não haja evidências diretas para orientar quando encerrar a triagem para o CaCR entre pessoas com história familiar, sugere-se que deveria terminar aos 79 anos entre pessoas com um parente e primeiro grau diagnosticado após os 50 anos e terminar aos 85 para pessoas com dois ou mais parentes de primeiro grau diagnosticados antes dos 40 anos, a menos que o paciente tenha uma expectativa de vida inferior a 10 anos. 

Continuar a triagem até a idade de 80 ou 85 anos é razoável porque o risco absoluto de CaCR atribuível à história familiar aumenta com a idade, uma vez que o risco é cumulativo. Por exemplo, o risco de um idoso de 70 anos desenvolver CaCR nos próximos 10 anos é de cerca de 9% se essa pessoa tiver pelo menos dois parentes de primeiro grau com CaCr, em comparação com 3% na população em geral.

Modificação dos fatores de risco para o câncer colorretal

É prudente fazer um esforço especial para modificar os fatores de risco comportamentais em pessoas que já apresentam risco aumentado devido à história familiar de câncer colorretal (CaCR). A atividade física, dieta saudável e a cessação do tabagismo estão associadas à redução do risco de câncer colorretal. Veja detalhes! 

Fatores de risco para o câncer colorretal. VEJA DETALHES

Fatores protetores para o câncer colorretal. VEJA DETALHES