IST – Infecção Sexualmente Transmitida

As Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) caracterizam-se por infecções causadas por mais de 30 agentes etiológicos diferentes (bactérias, vírus, fungos e protozoários), sendo transmitidas de maneira prioritária por contato sexual. Nenhuma pessoa é imune. Qualquer um que tenha relação sexual desprotegida pode contrair uma IST, independentemente da idade, estado civil, classe social, identidade de gênero, orientação sexual, credo ou religião. Eventualmente, também podem ser transmitidas por contato sanguíneo, contato direto com lesões (mesmo que pela via não sexual) e da mãe para a criança durante a gestação, o parto ou a amamentação.


➧ Introdução
➧ Quando fazer os exames para diagnóstico de IST após uma relação sexual desprotegida?
➧ Quais são as medidas preventivas para as Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST)?
➧ Abordagem sindrômica das IST)
➧ HIV
➧ Sífilis
➧ Hepatites B e C
➧ Clamídia – Linfogranuloma venéreo
➧ Gonorreia
➧ Herpes simples genital
➧ HPV
➧ Cancro mole
➧ Donovanose
➧ Molusco contagioso


Introdução

A relação sexual anal vem sendo praticada em uma frequência cada vez maior, e como consequência observa-se o crescimento contínuo na incidência e na variedade das infecções sexualmente transmitidas (IST) no ânus e reto.
Quanto maior o número de parceiros sexuais, maior é o risco de contrair uma IST. Portanto, os homossexuais monogâmicos apresentam um risco para IST semelhantes aos heterossexuais monogâmicos.

O risco de uma mulher contrair uma IST, principalmente o HIV, é maior na relação sexual anal receptiva do que na relação vaginal. O mesmo se observa no homem que faz sexo com homem (HSH), portanto, o homem que tem a relação anal receptiva apresenta um risco muito maior de contrair uma IST do que o parceiro ativo.

A abordagem sindrômica, que se baseia nos aspectos clínicos para classificar os principais agentes etiológicos e definir o tratamento sem o apoio de testes laboratoriais ou rápidos, não possui cobertura completa nos diferentes aspectos das IST. Dessa forma, sempre que possível, os testes laboratoriais ou rápidos devem ser utilizados para auxiliar na definição do diagnóstico. Além disso, sempre que disponíveis no serviço, devem ser realizados exames para triagem de HIV, hepatites B e C, sífilis, clamídia e gonorreia.


Quando fazer os exames para diagnóstico de IST após uma relação sexual desprotegida?

É importante saber o momento de se fazer os exames para detecção de possível infecção após o sexo desprotegido. Quando os exames são realizados muito precocemente dificulta o diagnóstico, já que, muitas das IST demoram alguns dias ou semanas para serem identificadas nos exames.

O tempo ideal para fazer os exames para IST depois da relação sexual é variável. A recomendação é que o teste para HIV e sífilis seja feito 30 dias após a relação sexual. Já para Hepatite B e C, o teste deve ser feito com 60 dias ou mais. Esse é o tempo da janela imunológica, ou seja, o tempo necessário para que essas infecções sejam detectadas no exame de sangue laboratorial ou nos testes rápidos. Mesmo quando os exames são negativos, é importante repeti-los em alguns meses.

As unidades básicas de saúde realizam testes rápidos para HIV, sífilis e hepatites B e C gratuitamente, e com a opção de ser inteiramente sigilosa. O diagnóstico da infecção para essas doenças é feito a partir de uma gota de sangue, retirada de uma pequena picada de agulha na ponta do dedo. Os testes rápidos que detectam os anticorpos contra os vírus apresentam o resultado em até 45 minutos.

1- HIV/AIDS. Quando realizar? A partir de 30 dias e em até 3 meses após a relação sexual suspeita.
Teste rápido anti-HIV positivo: Indica que a pessoa tem o vírus HIV, mas deve realizar o exame de sangue ELISA para confirmar o resultado.
2- Sífilis: Quando realizar? A partir de 30 dias após a relação sexual suspeita. A coleta também pode ser feita a qualquer momento quando houver lesão genital ou de outra mucosa.
Teste rápido para a Sífilis reagente ou positivo na triagem inicial, é fundamental que seja realizado um teste não treponêmico quantitativo (VDRL) e a um teste treponêmico (FTA-abs ou ELISA).
3- Hepatite B e C: Quando realizar? A partir de 60 dias do provável contágio para que os antígenos virais (no caso da hepatite B) ou anticorpos (no caso da hepatite C) sejam detectados no exame de sangue.
O teste rápido para hepatite C identifica o anticorpo anti-HCV e deve ser confirmado por biologia molecular (PCR para HCV-RNA quantitativo).
O teste rápido para hepatite B (HBV) identifica o HBsAg (antígeno de superfície do HBV) e devem complementar a avaliação com os seguintes exames: HBsAg, TGO, TGP, HBeAg e carga viral do vírus B (HBV-DNA).
4- Clamídia: Quando realizar? Nos pacientes com secreção urogenital sugestivos.
TESTE RÁPIDO para CLAMÍDIA em amostra de secreção urogenital em indivíduos sintomáticos. Resultado em 30 minutos.
Detecção do DNA por PCR na secreção urogenital em indivíduos sintomáticos é o exame de escolha. Resultado em até dois dias.
5- Gonorreia: Quando realizar? Nos pacientes com secreção urogenital sugestivos.
Detecção do DNA por PCR na secreção urogenital em indivíduos sintomáticos é o exame de escolha. Resultado em até dois dias.
6- Herpes genital: Quando realizar? Alguns dias após a infecção mesmo sem sintomas.
Na maioria dos casos o exame físico pode bastar para o diagnóstico.
Detecção do DNA por PCR do vírus da Herpes (HSV1 e HSV2). Resultado em até dois dias.
Os exames sorológicos identificam anticorpos contra o vírus herpes genital, indicando se houve infecção em algum momento.
7- HPV:  Quando realizar? Na maioria dos pacientes o diagnóstico é clínico pela descoberta das verrugas nos pacientes sintomáticos ou em exames preventivos de colposcopia e citologia do colo do útero ou anuscopia e citologia do canal anal nos assintomáticos. O HPV tem um período de incubação que pode durar de dias até anos ou não se manifestar.
Detecção do DNA por PCR do HPV pode ser realizado em casos selecionados.


Quais são as medidas preventivas para as Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST)?

1- Use camisinha – preservativo
O uso correto da camisinha é altamente efetivo na prevenção das IST. Ela deve ser usada no sexo vaginal, anal e oral. Algumas ISTs como herpes, HPV ou úlcera genital como sífilis e cancro são contagiosas através do contato com a pele. Se a camisinha não cobre a área de contato, então ela não pode proteger contra essas doenças. No entanto, se as infecções estão em áreas limitadas onde a camisinha cobre, o risco de contágio vai ser reduzido.

2 Vacina
As vacinas são muito seguras, efetivas e recomendadas para prevenir hepatite B e infecções pelo vírus HPV.  Ambas devem ser aplicadas preferencialmente antes do início da atividade sexual, mas podem ser utilizadas depois. VEJA DETALHES!

3- Parceiros sexuais
Diminuir o número de parceiros sexuais diminui muito a chance de contrair IST. Façam exames e compartilhem os resultados um com o outro.

4- Exames regulares
Uma das medidas mais eficazes para a prevenção das IST nas pessoas que iniciaram a atividade sexual é a realização de exames regularmente, para que, uma vez positivo sejam tratados e não a transmitam indiscriminadamente. Muitos são portadores assintomáticos de IST.

 Até os 64 anos devem fazer exame para HIV pelo menos uma vez.
 Exame anual para Clamídia e gonorreia nas mulheres abaixo de 25 anos e nas mulheres acima desta idade que tenham múltiplos parceiros.
 Exames para Sífilis e hepatite B em todas as gestantes
 Exame anual para Sífilis, Clamídia e gonorreia em todos os homens homossexuais e bissexuais.
 Exame anual para HIV em todos os homens homossexuais e bissexuais, assim como em pessoas que usam drogas injetáveis. Esta frequência pode ser aumentada dependendo do número de parceiros e da frequência de uso da droga.

5- A ducha (esguichar na vagina água, sabonete ou antissépticos) imediatamente após a relação sexual
Não previne gravidez e pode criar um maior risco de contrair IST. A ducha altera a flora vaginal e aumenta a probabilidade de desenvolver vaginite bacteriana. A ducha também é associada com gravidez ectópica, baixo peso de nascimento, parto prematuro e aumenta o risco de câncer cervical, inflamação pélvica e endometriose.

6- Pílula do dia seguinte e Profilaxia Pós-Exposição (PEP)
Após uma relação sexual desprotegida, a mulher pode tomar a pílula do dia seguinte em até 72 horas para evitar a gravidez e também pode procurar a Profilaxia Pós-Exposição (PEP), que também é até 72 horas, mas o ideal é que seja feita até as duas primeiras horas, e só protege contra o HIV, neste caso o homem também pode tomar.

7- A prevenção combinada
Abrange o uso da camisinha, ações de prevenção, diagnóstico e tratamento das IST, testagem para HIV, sífilis e hepatites virais B e C, profilaxia pós-exposição ao HIV, imunização para HPV e hepatite B, prevenção da transmissão vertical de HIV, sífilis e hepatite B, tratamento antirretroviral para todas as PVHIV, redução de danos, entre outros.


Isenção de responsabilidade

As informações contidas neste artigo são apenas para fins educacionais e não devem ser usadas para diagnóstico ou para orientar o tratamento sem o parecer de um profissional de saúde. Qualquer leitor que está preocupado com sua saúde deve entrar em contato com um médico para aconselhamento.