Prurido Anal

O prurido anal é definido como uma condição dermatológica caracterizada por persistente e desagradável coceira ou sensação de queimação na região perianal. Estima-se que a incidência varie de 1% a 5% na população em geral. Homens são mais acometidos que mulheres na proporção de 4:1. Mais comumente diagnosticada entre a quarta a sexta décadas de vida.


➧ Introdução
➧ Etiologia e fatores contribuintes para o prurido anal primário ou idiopático
➧ Etiologias e causas do prurido anal secundário
➧ Prurido anal causado por substâncias irritantes
➧ Prurido anal causado por doenças dermatológicas
➧ Prurido anal causado por agente infeccioso
➧ Prurido anal causado por neoplasias
➧ Prurido anal causado por doenças anorretais
➧ Diagnóstico da causa do prurido anal ou perianal
➧ Tratamento do prurido anal ou perianal primário ou idiopático
➧ Tratamento do prurido anal ou perianal secundário


Introdução e classificação

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O prurido anal pode ser classificado em primário ou idiopático (sem causa aparente), representa 50-90% dos casos e em secundário a um fator causal identificável, geralmente dermatite ou eczema por irritantes locais e doenças anorretais comuns.

A maioria dos pacientes têm sintomas durante muitos anos, bem como uma longa lista de pomadas e cremes usados entre outros tratamentos.

O ato de coçar é realizado com o intuito de obter uma resposta para inibir mais coceira.
 Coçar persistentemente traumatiza e machuca a pele, que é um estímulo adicional para mais prurido e ferimento adicional; portanto, isso pode levar a um ciclo vicioso crônico.
 Substituir o prurido por outros estímulos, como calor, frio, dor ou picada, aplicando álcool ou extrato de pimenta pode causar uma resposta inibitória e, em seguida, diminuir o desejo de coçar.

O prurido associado à cicatrização também é comum após a resposta inflamatória causada por doenças anorretais comuns (isto é, fissuras e hemorroidas), bem como após cirurgias anorretais e trauma. 


Etiologia e fatores contribuintes para o prurido anal primário ou idiopático

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As etiologias propostas para o prurido primário ou idiopático incluem uma variedade de fatores associados, incluindo substâncias irritantes, dietéticas, higiênicas, psicogênicas s e medicamentos locais.

Na ausência de uma causa secundária, acredita-se que o prurido anal idiopático tenha duas prováveis causas:
1. Irritação por muco, material fecal ou outra umidade perineal (como urina em um paciente idoso com incontinência urinária). O escape anal oculto é frequentemente associado ao prurido anal, e isso tem sido correlacionado ao reflexo inibitório anal exacerbado em pacientes com prurido anal.
2. Impacto nos nervos na região sacral que causa coceira neuropática ou notalgia parestésica.

Ansiedade, estresse e fadiga, assim como alterações na capacidade de enfrentamento e distúrbios obsessivo-compulsivos, provavelmente desempenham um papel na exacerbação do prurido anal. ​

Fatores anatômicos
Obesidade, sulco interglúteo profundo, hirsutismo (excesso de pelo) e roupas apertadas.

Dieta
Café (incluindo descafeinado), chocolate, condimentados, alimentos condimentados, frutas cítricas, tomate, cerveja, laticínios, deficiências de vitamina A e D e substitutos de gordura.

Higiene pessoal
Maus hábitos de higienização anal e mesmo a higiene perianal excessiva traumatizando e machucando.

Irritantes locais
Contaminação fecal, umidade, sabões, perfumes, medicamentos tópicos, papel higiênico, banheiros úmidos e álcool.

Medicamentos
Quinidina, colchicina, e corticoides intravenosos.

Psicogênica
Ansiedade, neurose, psicose, neurodermatite, neuropatia e “síndromes de coceira”.


 

Etiologias e causas do prurido anal secundário

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​As causas do prurido anal secundário podem ser divididas em várias e amplas categorias como: doenças infecciosas, dermatológicas, sistêmicas e causas anorretais.

Dermatológico
 Eczema ou dermatite de contato;
 Dermatite atópica;
 Psoríase;
 Dermatite seborreica;
 Líquen plano, líquen simples crônico;
 Líquen escleroso;
 Malignidade local (carcinoma espinocelular, Doença de Paget e Bowen).

Infeccioso
 ​Bacteriano;
 Fungos;
 Viral;
 Parasitas.

Doença sistêmica
 Diabetes mellitus;
 Leucemia, linfoma, policitemia vera;
 Doença hepática (icterícia);
 Insuficiência renal crônica;
 Distúrbios da tireoide.

Causas colorretal e anal
 Hemorroidas (internas e externas);
 Prolapso retal (mucosa e espessura total);
 Fissura;
 Fístula anal;
 Diarreia (infecciosa, doença inflamatória intestinal e síndrome do intestino irritável);
 Secreção de tumores vilosos.

Outros
 ​Dermatite de radiação;
 Incontinência fecal e vazamento anal;
 Condições ginecológicas (prurido vulvar, vaginose, corrimento vaginal).

Prurido anal causado por substâncias irritantes

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O prurido anal pode resultar de vários produtos tópicos aplicados inadvertidamente na região anal como: lanolina (óleo natural obtido da lã de ovelha), neomicina (antibióticos), parabenos (classe de produtos químicos utilizados em cosméticos), anestésicos tópicos da família “caine” e certos papéis higiênicos.

Enzimas presente nas fezes (lipase, elastase e quimotripsina) podem contaminar e causar irritações na pele perianal.

A irritação adicional da pele é frequentemente exacerbada por várias e diversas tentativas de tratamento e medidas de higiene excessivas, sensibilizando ainda mais da região perianal.

Existem alimentos comuns que frequentemente estão associados a piora da irritação e prurido perianal: café, chá, cola (refrigerante), cerveja, chocolate e tomate (ketchup).
 Em alguns casos, a eliminação total desses irritantes resultará na remissão do prurido em duas semanas.
 Após esse período de eliminação de duas semanas, os alimentos podem ser reintroduzidos para determinar a associação e potencialmente a exposição do limiar com o aparecimento dos sintomas. 


Prurido anal causado por doenças dermatológicas

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Várias doenças dermatológicas podem se apresentar como prurido anal como: psoríase, dermatite seborreica, dermatite atópica, dermatite de contato, líquen plano, líquen escleroso, líquen simplex crônico e neoplasias locais.

Eczema anal

O eczema anal (processo crônico ou agudo de inflamação que se apresenta em forma de manchas avermelhadas com pequenas bolhas) é provavelmente a causa dermatológica mais comum de prurido anal.  Geralmente é considerado nas dermatites de contato por produtos químicos e medicações aplicados na região anal.
 Essas substâncias são usadas por até 60% dos pacientes com queixas anogenitais e incluem pomadas populares para hemorroidas, corantes e perfumes usados ​​em papel higiênico e sabonetes perfumados, sprays de higiene feminina, desodorantes, talco medicamentoso e produtos de limpeza de pele.
 Pacientes com eczema anal também têm maior probabilidade de ter asma e rinite alérgica.
 A maioria dos estudos que avaliam o papel de alérgenos específicos que causam eczema anal identificou anestésicos locais e antibióticos aminoglicosídeos como os agentes causadores mais comuns.
 Também é importante testar os produtos dos próprios pacientes, pois alguns estudos descobriram que eles são alérgenos comuns e clinicamente relevantes.
 O papel do papel higiênico seco, úmido ou reciclado foi examinado e estudos bem projetados não mostraram efeitos tóxicos de seus componentes.

Dermatite atópica anal

A dermatite atópica ou eczema atópico (reação alérgica da pele que gera vermelhidão, coceira, bolhas e crostas) pode ser a causa hereditária mais comum de prurido anal, com uma frequência de 15 a 20% da população.

É uma doença genética, crônica e que apresenta pele seca, erupções que coçam e crostas. Seu surgimento é mais comum nas dobras dos braços e da parte de trás dos joelhos, mas pode comprometer a região perianal. Não é uma doença contagiosa. A dermatite anal atópica pode também vir acompanhada de asma ou rinite alérgica, porém, com manifestação clínica variável.

​Alguns fatores de risco para o desenvolvimento de dermatite atópica podem incluir: alergia a ácaros ou a animais; contato com materiais ásperos; exposição a irritantes ambientais, fragrâncias ou corantes adicionados a loções ou sabonetes, detergentes e produtos de limpeza em geral; roupas de lã e de tecido sintético; baixa umidade do ar, frio intenso, calor e transpiração; infecções; estresse emocional e certos alimentos.

Psoríase anal e genital

A psoríase afeta 1 a 3% da população em geral e é uma etiologia importante do prurido anal secundário. Um a dois terços das pessoas com psoríase experimentam psoríase genital em algum momento de suas vidas. O tipo mais comum de psoríase que as pessoas experimentam na área genital é a psoríase inversa, seguida pela psoríase em placas.

Psoríase inversa
A psoríase inversa geralmente ocorre nas dobras do corpo, como nas axilas, nas mamas e na área genital. Os sintomas podem incluir a pele vermelha que é lisa (não escamosa) e pode parecer enrijecida. Algumas pessoas experimentam desconforto, dor, coceira intensa e secreção na pele. A psoríase inversa pode ser agravada pelo suor e fricção.

Psoríase em placas
A psoríase em placas geralmente ocorre no couro cabeludo, joelhos, cotovelos e tronco, mas também pode aparecer nos órgãos genitais. Os sintomas podem incluir manchas vermelhas elevadas da pele com um acúmulo prateado ou branco de células mortas da pele escamosa. Algumas pessoas experimentam desconforto, dor, coceira e rachaduras.

Dermatite seborreica anal

A dermatite seborreica é uma causa incomum de prurido anal, caracterizada por placas ou manchas eritematosas, frequentemente com escamas brancas ou amarelas. Chama a atenção a intensidade da umidade anal.

Comumente a dermatite está presente nas chamada “áreas seborreicas”, isto é, couro cabeludo, rosto (em particular nos ouvidos e nasais), tórax, e virilha. 

Líquen plano

O líquen plano é uma doença inflamatória relativamente comum que afeta a pele e as mucosas e acredita-se que seja causada por uma resposta imune alterada.
 Comumente visto em pacientes com outras doenças, como colite ulcerosa, cirrose biliar primária, infecção por hepatite C e miastenia gravis
 Normalmente é autolimitado, com resolução após 8 a 12 meses.

 


Prurido anal induzido ou causado pelo corticoide

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Embora tenha sido relatado prurido anogenital causado pelo uso corticoide tópico e sistêmico, geralmente o prurido anal ocorre como um fenômeno de rebote após a retirada do corticoide.
 A potência e a dosagem do corticoide devem ser reduzidas de maneira planejada, com o objetivo de eliminar completamente os corticoides.
 A dermatite alérgica de contato com corticoides aplicados topicamente foi bem documentada e é específica da classe. 


Prurido anal causado por agente infeccioso

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As infecções perianais associadas ao prurido podem ser de origem bacteriana, viral, fúngica ou parasitária. ​

Infecção anal por bactérias

O estreptococo beta-hemolítico é a principal causa de dermatite perianal em crianças. 
As infecções perianais por Staphylococcus aureus são as mais comumente encontradas nos adultos e geralmente se apresentam como dermatite refratária e prolongada. 

​Infecção anal por fungos

Os fungos são responsáveis ​​por 10 a 40% dos casos de prurido anal secundário a causas infecciosas.

Candidíase anal

Candida albicans é o fungo mais comumente identificado em pacientes com prurido anal. A região perianal normalmente contém pequenas quantidades de Candida albicans, que em condições normais não causam problemas. Todavia, existem alguns fatores que favorecem a sua multiplicação e, consequentemente, aumentam o risco de desenvolvimento da candidíase anal como: umidade anal (condições de trabalho e obesidade), imunossupressão (HIV, diabetes e uso de imunossupressores) e doenças anorretais crônicas (geralmente é eliminada com o tratamento adequado da condição ou doença subjacente). Portanto, comporta-se principalmente como uma infecção oportunista.

​Dermatofitoses (Tinea corporis ou tinea cruris)

Os dermatófitos podem causar prurido anal, embora com menos frequência do que a cândida, mas devem ser considerados e tratados adequadamente quando encontrados em pacientes com prurido anal.

A doença causada pelos fungos chamados dermatófitos. Eles podem ser transmitidos diretamente (de homem para homem, de animal para homens e da terra para o homem) e indiretamente, por meio de materiais contaminados com escamas de pele. Essas escamas podem causar infecção por até 15 dias quando em um meio ambiente a 26ºC. Sendo assim, as fontes de infecção podem ser, consequentemente, o homem, animais (cão, gato, porco, gado, aves, peixes etc.) e solo.

Existem cerca de 30 espécies de fungos que podem causar infecções no ser humano e causar doenças em diferentes partes do corpo. Essas infecções são mais comuns em países de clima quente e úmido, sendo que os de clima tropical e subtropical são os mais afetados. Porém, a dermatofitose é uma doença universal e muito frequente.

Caracteriza por lesões pápulo-vesiculosas avermelhadas, descamativas, com borda serpiginosa e desenhadas, isoladas ou confluentes, de modo que a parte externa é a mais ativa e que, na área perianal pode se estender às nádegas.

Infecção por vírus herpes simples

Infecção sexualmente transmitida, surge 4 a 21 dias após o coito receptivo anal. Normalmente manifesta-se como lesões avermelhadas na região anorretal (região perianal, canal anal e reto médio e distal) junto com dor intensa e constante (dificulta o exame proctológico), prurido e secreção mucopurulenta. Evoluem para vesículas agrupadas, umas ao redor das outras, por 4 a 5 dias; após isto ulceram e formam crostas e resolvem espontaneamente em 2 a 3 semanas. 

Pode ser acompanhada de febre, mialgias e mal-estar. Em cerca de ¾ aparecem íngua inguinal e podem aparecer em outras regiões pela auto inoculação. Podem ocorrer sintomas neurológicos como parestesia, retenção urinária e impotência. É altamente contagiosa até a reparação total. Traumas, tensão emocional e infecções diversas podem provocar a recorrência que geralmente é mais branda, de resolução mais rápida e sempre surge no mesmo local.

Infecções sexualmente transmissíveis (IST)

As infecções sexualmente transmissíveis (IST), incluindo sífilis, gonorreia, molusco contagioso e condiloma acuminado (infecção pelo papilomavírus humano) são causas comuns de prurido anal. VEJA DETALHES!

Parasitas perianais

Os mais comuns incluem Enterobius vermicularis (oxiuros), Sarcoptes scabiei (“sarna”) e Pediculosis pubis (“chato”). 

​A infestação por oxiuros ou enterobíase é uma infestação intestinal por Enterobius vermicularis, que normalmente acomete crianças em idade escolar, adultos que cuidam de crianças ou membros da família de uma criança infectada por oxiúros. O verme fêmea migra do anus para a região perianal (normalmente à noite) para depositar ovos. A maioria dos infectados não apresenta sintomas ou sinais, mas alguns experimentam prurido perianal e desenvolvem escoriações perianais.

Escabiose (ou Sarna) é uma parasitose humana causada pelo ácaro Sarcoptes scabiei. O contágio se dá somente entre humanos, por contato direto com pessoa ou roupas e outros objetos contaminados. A fêmea penetra na pele humana, cavando um túnel, e quando se movimenta nos túneis e pela hipersensibilidade causa a coceira ou prurido, principal sintoma, que é sentido principalmente à noite.

Pediculose pubiana (Chato). É sexualmente transmitido (IST) em adolescentes e adultos e por contato próximo dos pais com os filhos. Também é transmitido por fômites (p. ex., toalhas, roupas de uso normal e de cama). Infectam pelos pubianos e perianais, mas podem se espalhar pelas coxas, tronco e pelos faciais (barba, bigode e cílios). Os sintomas da pediculose pubiana têm início de uma a duas semanas após o contato com o parasita. A principal queixa é a coceira. Nos locais da picada, podem ocorrer alterações da pele semelhantes à urticária, bolhas e manchas azuladas. 


Prurido anal causado por neoplasias

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Embora incomum, o prurido anal pode ser um sintoma de neoplasia dermatológica como: condiloma, doença de Paget e doença de Bowen.

 Embora o prurido não tenha sido bem estudado em grandes estudos avaliando pacientes com NIA, é comumente identificado em pacientes com histórico de verrugas anais.
 Doença de Paget extra mamária (adenocarcinoma cutâneo in situ).
–– A região perianal é o local extra mamário mais comumente envolvido, e o prurido é um sintoma de apresentação comum.
–– A taxa de malignidade anorretal associada à doença de Paget perianal varia de 33% a 86%.
–– ​Portanto, investigações dos sistemas gastrointestinal, urinário e ginecológico devem ser realizadas para uma possível malignidade associada.
 ​O carcinoma intra-epitelial de células escamosas in situ, também conhecido como doença de Bowen, do ânus também é raro, mas frequentemente se apresenta com prurido como principal sintoma. 


Prurido anal causado por doenças anorretais

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Doença hemorroidária, plicoma e fissura anal crônica são patologias comumente vistas em pacientes com prurido anal.
 Associado a graus variados de escape, prolapso e umidade.
 A correção desses distúrbios em pacientes com prurido anal geralmente é necessária.
 Em geral, é difícil saber se as condições anorretais são a causa ou um fator contribuinte do prurido anal.
 Nos pacientes com prurido grave associada a doença anal de tratamento cirúrgico recomenda-se optar por técnicas menos agressivas e se possível não invasivas evitando causar mais cicatrizes. 
 No diagnóstico de incontinência fecal grave e refratária causando prurido anal acentuado, recomenda-se abordagem mais agressiva com opções cirúrgicas ou neuroestimulação. VEJA DETALHES!

Prurido anal causado por doenças sistêmicas

 Várias doenças sistêmicas têm sido associadas ao prurido anal; no entanto, os fatores causais precisos permanecem desconhecidos.
 Diabetes mellitus (mais comum), doença hepática, linfoma, leucemia, pelagra, deficiências de vitamina A e D, insuficiência renal, anemia por deficiência de ferro e hipertireoidismo. 

 


Diagnóstico da causa do prurido anal ou perianal

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Um diagnóstico exato pode ser difícil, geralmente resultando em pacientes insatisfeitos que podem ser atendidos várias vezes e por vários médicos em diferentes especialidades. Consequentemente, os pacientes podem apresentar sintomas por muitos anos, além de uma longa lista de medicamentos prescritos por médicos e adquiridos por conta própria.

Para identificar a causa do prurido anal, recomenda-se que os pacientes sejam questionados sobre:
 Dieta atual;
 Medicamentos atuais e anteriores;
 Histórico pessoal de atopia e alergia;
 ​Informações sobre hábitos intestinais;
 Como faz a higiene perianal, incluindo como limpam rotineiramente a área anal após uma evacuação.

• Uma revisão do histórico médico do paciente, incluindo qualquer histórico de condições ou operações anorretais.
• Outra história pertinente inclui infecções cutâneas anteriores, especialmente infecções micóticas dos órgãos genitais, IST, infiltração anal e sintomas de incontinência fecal e urinária.
• O algoritmo para o diagnóstico correto do prurido anal inclui: histórico completo e exame físico, testes bioquímicos e microbiológicos, anuscopia, retossigmoidoscopia e testes alérgico (incluindo os próprios produtos do paciente). 

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Exame físico

O exame físico também deve incluir a avaliação de outros locais relacionados às manifestações cutâneas, incluindo virilhas, axilas, sulco interglúteo e outras áreas ou dobras cutâneas. A resposta ao tratamento nessas áreas também deve ser documentada nos exames de acompanhamento.

O prurido e a alteração na pele podem ser classificados com base nos achados do exame físico:
1- Estágio 0: pele normal;
2- Estágio 1: pele vermelha e inflamada;
3- Estágio 2: pele liquenificada (espessa, rígida e muitas vezes acastanhada);
4- Estágio 3: pele liquenificada, sulcos grossos e ulcerações. 

Diagnóstico do prurido anal infeccioso

Infecção bacteriana

Na dermatite perianal bacteriana a pele geralmente mostra uma erupção úmida, brilhante e eritematosa com bordas distintas e sem lesões satélites. ​

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​Infecções fúngicas

As infecções fúngicas perianais são caracterizadas por erupção cutânea vermelha, brilhante e sem o exsudado leitoso às vezes visto em outras regiões do corpo. Essas infecções podem se apresentar após o tratamento com antibióticos sistêmicos e corticoides tópicos ou sistêmicos.

Candidíase anal

A candidíase anal pode ser um pouco difícil de diagnosticar. Pode apresentar-se com um eritema generalizado e bem delimitado e/ou várias pápulas e pústulas com halo ou “coleira” avermelhado sem inflamação adjacente, agrupadas ou isoladas como satélites na região perianal. Assemelha-se a causada pela tinea cruris, mas geralmente há menos descamação e maior tendência a formar fissuras. O diagnóstico é confirmado por microscopia direta ou cultura de fungos. 

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​Dermatofitose anal (Tinea corporis ou tinea cruris)

A dermatofitose anal caracteriza-se por lesões pápulo-vesiculosas avermelhadas, descamativas, com borda serpiginosa e desenhadas, isoladas ou confluentes, de modo que a parte externa é a mais ativa na área perianal e que pode se estender às nádegas mediais.

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A detecção da identidade de um agente etiológico específico da doença fúngica tem influência direta no prognóstico e nas condições terapêuticas. Os exames laboratoriais mais usados para o diagnóstico são o micológico direto e a cultura para fungos.
 Micológico direto
O exame micológico direto é considerado um dos métodos mais rápidos e de baixo custo para diagnóstico de infecções fúngicas. As amostras são montadas sobre uma lâmina de vidro com uma gota de KOH 10% ou 20% (hidróxido de potássio) e examinadas microscopicamente. Esse exame não identifica gênero e espécie.
 ​Cultura de fungos
A cultura é necessária, para que ocorra a identificação dos agentes etiológicos (gênero e espécie). Devem ser avaliadas as características macro (análise a olho nu) e micro (análise de estruturas microscópicas), para que ocorra uma correta e segura identificação.

​Molusco contagioso

O molusco contagioso tem uma apresentação distinta com grupos de pequenos, palpáveis ​​e coloridas pápulas com umbilicação central.

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​Infecções sexualmente transmissíveis (IST)

As IST como: sífilis, gonorreia, molusco contagioso e condiloma acuminado (infecção pelo papilomavírus humano) são causas comuns de prurido anal. 

Infecção por vírus herpes simplex (HSV) tipo 2 e/ou tipo 1

PCR – DNA para pesquisa vírus herpes simplex (HSV) tipo 2 e/ou tipo 1.

Prurido anal por ​parasitas perianais

Infestação por oxiuros ou enterobíase. O diagnóstico é feito por meio da inspeção visual de vermes filiformes na área perianal ou pelo teste da fita adesiva e transparente, ou fita gomada, para detectar ovos na região anal. Antes de dormir ou logo após acordar.

Escabiose (Sarna). O diagnóstico é geralmente clínico, pelo achado dos túneis e pelas áreas características do aparecimento das lesões de escabiose (entre os dedos das mãos, nas axilas, na parte do punho que segue a palma da mão, auréolas e genitais). Pacientes idosos, ou já tratados com corticoides, podem ser difíceis de ser diagnosticados. Neste caso é preciso fazer uma pesquisa do parasita na pele, coletando o material nas lesões dos sulcos.

Pediculose pubiana (Chato). O diagnóstico de chato pode ser feito pela observação dos piolhos e das lêndeas na base dos pelos e da presença de parasitas na pele da região afetada. A única forma de evitar a pediculose pubiana é impedir o contato com os piolhos e a fixação das lêndeas.

Diagnóstico do prurido anal por doenças dermatológicas

Eczema anal e dermatite anal atópica

O eczema anal ou dermatite de contato é caracterizada por eritema (vermelhidão), descamação e vesículas, geralmente é observado escoriações causadas pelo coçar incessante. Geralmente, trata-se de um quadro inflamatório da pele que vai e volta, podendo haver intervalos de meses ou anos, entre uma crise e outra.

Achados semelhantes podem estar encontrados na face, pescoço e dorso das mãos, bem como nas regiões posteriores do cotovelo e joelho (fossa poplítea e cubital).
 Os achados associados incluem queratose pilar (textura áspera semelhante a uma lixa sobre o bíceps e as coxas posteriores), pregas anais redundantes e urticária.
 ​Com a perda de uma barreira epidérmica adequada, infecções secundárias e irritação por agentes usados na tentativa de acabar com o prurido podem estar presentes em pacientes com dermatite atópica.

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O eczema pode provocar coceira intensa, e o ato de coçar a lesão pode deixá-la ainda mais irritada e pruriginosa. A coceira pode levar a lesões da pele pela unha, o que facilita a invasão e contaminação das feridas por bactérias, principalmente o Staphylococcus aureus.

​Psoríase anal e genital

A psoríase geralmente aparece como lesões de tamanhos variados, bem delimitadas e avermelhadas, com escamas secas, aderentes, prateadas ou acinzentadas.
 Lesões típicas são comumente encontradas no couro cabeludo, cotovelos, joelhos, articulações e pênis, mas a psoríase perianal também pode se apresentar como uma lesão isolada.
 Na região perianal, as lesões tendem a ser mal demarcadas, pálidas e sem descamação devido à maceração persistente, daí o termo psoríase inversa. 

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Dermatite seborreica anal

​A dermatite seborreica manifesta-se com placas ou manchas eritematosas, frequentemente com escamas brancas ou amarelas que ocorrem no couro cabeludo, no rosto (em particular nos ouvidos e nasais), no tórax, no ânus e na virilha, as chamadas “áreas seborreicas”. Na dermatite seborreica anal, a umidade perianal excessiva é o denominador comum.

Líquen plano anal 

O líquen plano se apresenta como pápulas brilhantes e de topo plano, mais escuras do que a pele circundante e iniciam nos pulsos e antebraços. O envolvimento genital e da mucosa é comum. 

Prurido anal por doenças anorretais

Doenças anorretais podem cursar com secreção anal crônica infectada ou purulenta (doença pilonidal, fístulas anorretais e hidradenite supurativa) e podem levar à hiperpigmentação (escurecimento) da região perianal.

Prurido anal secundário a neoplasias

A apresentação de neoplasias dermatológicas, como a doença de Paget e Bowen, pode variar de uma erupção cutânea leve a um tipo de eczema florido às vezes associado à pele endurecida. A apresentação clássica é uma placa perianal eritematosa e eczematoide. 

Testes bioquímicos para o diagnóstico do prurido anal

Após falha do gerenciamento tópico e se houver suspeita de doença sistêmica, testes bioquímicos são necessários.
Testes laboratoriais comuns para descartar causas sistêmicas e infecciosas incluem testes de função hepática e renal, nível de glicose no sangue, contagem de glóbulos brancos com diferencial e proteína C reativa.

Testes de microbiologia  para o diagnóstico do prurido anal

Testes de microbiologia podem ser necessários para afastar infecção secundária e oportunista por fungos ou bactérias, frequente nos pacientes com quadros crônicos, imunossuprimidos, diabéticos e obesos.

Culturas de exsudatos da pele perianal e material infeccioso são simples e diretos, mas podem ser enganosas se não forem realizadas adequadamente.
 O material infectado deve ser aspirado com uma seringa e colocado em recipiente estéril.
 Como alternativa, o swab pode ser usado para coletar a amostra, mas é menos efetiva.
 As amostras de cultura devem ser colocadas em mídias apropriadas (anaeróbias, bacterianas, fúngicas e virais) e refrigeradas sem demora.
 Descamações de pele podem ser submetidas à pesquisa e cultura para fungos.
 Em pacientes com diarreia, culturas bacterianas de fezes (coprocultura), bem como o parasitológico podem ser úteis.
 Se houver suspeita de vermes, o teste da fita adesiva no início da manhã identifica vermes adultos e seus ovos, confirmando o diagnóstico.

Teste de Patch ou teste de contato, verifica componentes que causam alergia de contato

 Pacientes com uma extensa lista de alergias, tanto dietéticas quanto relacionadas a medicamentos, são bons candidatos ao teste alérgico cutâneo.
 Isso geralmente envolve a consulta dermatológica.
 É importante também testar os produtos do próprio paciente, pois estes demonstraram ser uma etiologia significativa no prurido anal. 

Anuscopia e retossigmoidoscopia rígida

 Todos os pacientes com dermatite e prurido anal devem ser submetidos a anuscopia e a retossigmoidoscopia rígida.
 A colonoscopia completa é indicada para pacientes com idade apropriada para o rastreamento do câncer colorretal e pacientes com hematoquezia, anemia por deficiência de ferro e histórico familiar positivo de câncer colorretal.

Biópsia para anatomopatológico

 Lesões na pele que não respondem ao tratamento ou são suspeitas de malignidade requerem biópsia.
 Este é o teste mais valioso em pacientes com prurido primário e deve incluir uma área da lesão e da pele normal adjacente. ​

 


Tratamento do prurido anal ou perianal

O manejo de doenças dermatológicas do ânus, na prática, é particularmente desafiador.
 Localizadas em uma parte do corpo frequentemente associada ao constrangimento e, portanto, os pacientes podem ter uma doença avançada antes de se apresentarem ao médico para obter ajuda.
 Além disso, existem dados limitados de classe A sobre o tratamento do prurido anal.
Os objetivos do tratamento para qualquer forma de prurido anal é o alívio rápido dos sintomas, a cura da dermatite e a prevenção de recorrência.
A recorrência a longo prazo geralmente pode ser impedida em muitos pacientes, quando se evita o contato com alérgenos e irritantes aliado ao tratamento específico da doença ou condição anorretal subjacente. 

Tratamento do prurido anal primário ou idiopático

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A- Como o prurido primário ou idiopático é o mais comum, recomenda-se o tratamento genérico e empírico para o manejo inicial dos pacientes.
 Isso será eficaz em mais de 90% dos pacientes.
 Essa estratégia de gerenciamento se concentra no restabelecimento da higiene anal ideal e em transmitir segurança ao paciente de que não existe uma condição subjacente que cause os sintomas.

1- O tratamento começa orientado o paciente a evitar substâncias irritantes conhecidas, como: sabonetes, loções, cremes, pós perfumados, lenços umedecidos para bebês e qualquer produto com avelã.
2- O paciente também deve ser orientado a evitar mais traumas na pele perianal, que podem ser causados ​​pelo coçar, papel higiênico seco e lavagem rigorosa e intensa. Devem ser evitadas as escoriações ou macerações da pele causadas pelo coçar ou esforços de limpeza excessivamente vigorosos.
3- Seque cuidadosamente a pele com um papel higiênico úmido, uma bola de algodão ou um pano macio, sem perfume e sem medicamentos.
a- Limpadores não irritantes são altamente recomendados durante o tratamento inicial.
 O vinagre branco diluído (uma colher de sopa em um copo de 30 ml de água) em uma bola de algodão é um limpador barato e eficaz.
 O óleo da árvore do chá, um óleo volátil com propriedades antibacterianas e antifúngicas, funciona bem para pacientes com pele perianal úmida e prurido.
b- Uma parte importante é evitar a umidade anal e manter a área perianal sempre seca. O uso breve de um secador de cabelo com ar fresco é uma excelente maneira de manter a pele perianal seca após a limpeza.
c- Os pacientes devem evitar roupas íntimas sintéticas bem ajustadas e podem usar um pequeno pedaço de algodão ou almofada de remoção de maquiagem para ajudar a absorver o excesso de umidade.
d- Sabonete neutro sem perfume, sem fragrância e isento de sabão convencional é o recomendado (Dove Hidratação Sensível Sem Perfume).
4- Também é importante que o paciente mantenha o hábito intestinal regular com fezes de consistência normal. Isso é especialmente útil para evitar infiltração e contaminação fecal da pele perianal. Recomenda-se uma dieta rica em fibras, sem ingestão excessiva de líquidos e o uso criterioso de loperamida ou colestiramina conforme necessário para controlar a diarreia quando presente.
5- Como mencionado anteriormente, uma dieta excluindo componentes alimentares de “alto risco”, como café, chá, chocolate, refrigerante e álcool por 2 semanas, deve ser fortemente considerada na maioria dos pacientes com prurido primário.  

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Corticoide tópico de alta potência
Dipropionato de betametasona em creme a 0,05%;
Valerato de betametasona em creme a 0,1%.

Corticoide tópico de média potência
Triancinolona acetonida em creme a 0,1%;
Furoato de mometasona em creme a 0,1%;
Aceponato de metilprednisolona em creme a 0,1%.
Acetonido de fluocinolona creme a 0,1%.

Corticoide tópico de baixa potência
Fosfato de dexametasona sódica, creme a 0,1%.
Hidrocortisona em creme a 1%

​B- Nos pacientes em que essa estratégia inicial de tratamento não é eficaz após 4 a 6 semanas, a atenção é direcionada para excluir as múltiplas causas potenciais do prurido anal secundário.

1- Se nenhuma causa secundária for encontrada, a terapia tópica é recomendada.
2- Os corticoides tópicos são uma opção de tratamento eficaz e segura.
a- O tratamento tópico de primeira linha inclui preparações com um corticoide tópico de baixa potência, como hidrocortisona a 1%, que não deve ser administrado por mais de 8 semanas.
b- O uso de corticoides tópicos potentes ou de forma prolongada de deve ser evitado, pois podem levar a atrofia da pele, infecções e piorar o prurido anal.
A maioria dos pacientes com sintomas moderados e alterações mínimas da pele responderá bem ao corticoide tópico em baixa potência. Essas preparações devem ser aplicadas à noite e pela manhã após o banho.

3- Se forem usados corticoides tópicos, um regime de redução gradual deve ser estabelecido, terminando com a substituição por um agente de barreira para evitar a umidade excessiva da região perianal, minimizar as perdas transepidérmicas de água e diminuir a permeabilidade da pele, prevenindo assim o contato das fezes com a pele.
a- Palmitato de Retinol + Colecalciferol + Óxido de Zinco pomada. Tubos com 45 g, 90 g e 135 g.
b- Dexpantenol creme. Tubo com 20 g.

Antes de aplicar, lavar bem as mãos e limpar cuidadosamente a região perianal apenas com algodão úmido. Aplicar a pomada ou creme e massagear suavemente para espalhá-la. Lavar as mãos imediatamente após a aplicação da pomada. Aplicar em camada fina, duas a três vezes ao dia, ou conforme indicação médica.

​C- Pacientes com alterações cutâneas perianais crônicas devem ser tratados com um corticoide de média potência (aceponato de metilprednisolona em creme a 0,1%) ou alta potência (dipropionato de betametasona em creme a 0,05%). É importante enfatizar aos pacientes que um corticoide de média e alta potência devem ser usados por um período limitado, geralmente de 4 a 8 semanas.

D- Antipruriginosos podem ajudar nos casos em que a coceira é muito intensa.
 Cetirizina 10 mg ou loratadina 10 mg ou fexofenadina 180 mg são anti-histamínicos de segunda geração (causa pouca sedação, com mínimos efeitos na atividade psicomotora) via oral a cada 24 horas. Recomenda-se tomar 2 a 3 horas antes de deitar-se à noite devido à sonolência e coceira noturna que pode ser um fator contribuinte sério em muitos casos de prurido primário anal.
 Cloridrato de hidroxizina 25 mg, via oral, 3 a 4 vezes ao dia, ou seja, de 8 em 8 horas ou de 6 em 6 horas, respectivamente. Tratamento restrito a 10 dias. Tendo em vista a possibilidade de ocorrência de sonolência durante o uso de os pacientes devem ser alertados quanto à condução de veículos, ao manuseio de máquinas perigosas e outros equipamentos que requeiram atenção.

Depois da melhora clínica observada pela normalização da pele, o corticoide de alta potência é trocado por um corticoide de baixa potência por mais duas a três semanas, quando podem ser reduzidos progressivamente para uma vez dia, depois para dias alternados e por fim semanalmente, substituindo progressivamente a aplicação do corticoide pelos cremes ou pomadas de barreiras, hidratantes e emolientes. 

E- A corticoterapia sistêmica (corticoide oral) é um recurso de exceção utilizado no tratamento de pacientes com prurido anal refratário. Não há estudos que avaliem o impacto deste tratamento na melhora a longo prazo.

F- Para casos intratáveis ​​de prurido anal primário, a injeção intradérmica de azul de metileno foi descrita com alguma eficácia. O mecanismo presumido de melhora sintomática é pela destruição das terminações nervosas.
 Injeção intracutânea e subcutânea de 30 ml de bupivacaína a 0,25% com epinefrina 1: 200.000 misturada com volumes iguais de lidocaína a 0,5% no anoderma e região perianal no bloco cirúrgico. Depois disso, 20 a 30 ml de azul de metileno a 0,5% são injetados nos mesmos locais, utilizando uma agulha espinhal de calibre 25. Risco de necrose da pele com espessura total.
 ​Mentes et al. usou uma técnica ligeiramente diferente. Injeção intradérmica e subcutânea de uma mistura de 7 a 8 ml de azul de metileno a 2% com volumes iguais de lidocaína a 0,5% sem anestesia local ou sedação prévia. Não foram relatadas complicações graves ou casos de necrose da pele , provavelmente devido a um menor volume injetado. 

Este talco é manipulado nas farmácias e pode ser usado em pruridos primários e secundários. 
Talco-120 g + Óxido de Zinco-60g + Ácido Bórico-10g + Alcanfor (Cânfora)-2g.
Usar 3 vezes ao dia após a higiene anal conforme o orientado na dieta;

Usado apenas sob orientação médica, pois só pose ser utilizado nas casos primários. 
Fluocinolona-0,1% + Vitamina A-2% + Extrato de Própolis-5% + Creme iônico POLOWAX-20g. 
​À noite, faça a higiene da região anal com bastante água para retirar o talco e nas primeiras 10 noites use uma fina camada deste creme.

Tratamento do prurido anal secundário

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Infecções bacterianas

As infecções bacterianas da região perianal devem ser tratadas com antibióticos sistêmicos.
✓ Se um agente específico não for identificado, a cobertura antibiótica deve incluir bactérias Gram-positivos e Gram-negativos como amoxicilina + clavulanato de potássio.
✓ A associação com antibiótico tópico promove melhores resultados.
✓ Depois de sanado o quadro infeccioso recomenda-se seguir com o tratamento igual ao descrito para o prurido idiopático, uma vez que a maioria das dermatites perianais infecciosas são devido as escoriações provocadas pela coceira incessante.
✓ A sulfadiazina de prata é um complemento tópico eficaz em pacientes com dermatite perianal bacteriana, especialmente em pacientes com ulcerações e fissuras na pele, pois acalma e promove a reepitelização.

Candidíase anal ou perianal

​Quando prurido anal refratário está associado a culturas que mostram crescimento de Candida albicans, devem ser administrados antifúngicos, especialmente em pacientes imunossuprimidos e diabéticos ou que foram tratados recentemente com corticoide ou antibióticos sistêmicos.

O tratamento depende da intensidade da infecção, das comorbidades (doença subjacente), estado imunológico do paciente, nos fatores de risco do paciente e, em alguns casos, a suscetibilidade da espécie Cândida a medicamentos antifúngicos específicos.

✓ Em quadros cutâneos localizados, a maioria das infecções cutâneas por candidíase pode ser tratada com qualquer agente antifúngico tópico (por exemplo, clotrimazol, miconazol, cetoconazol e nistatina) associado uma dose única de fluconazol 150 mg. 
✓ Nos casos de infecções cutâneas extensas e infecções em pacientes imunocomprometidos recomenda-se terapia antifúngica sistêmica. Observa-se bons resultados com uma combinação de fluconazol oral (150 mg/dia) e clotrimazol tópico a 1%, administrados por 2 a 3 semanas.
✓ Para tratar a inflamação e a coceira simultaneamente, cremes antifúngicos associados a corticoides podem ser usados (cetoconazol + dipropionato de betametasona).
✓ ​Para evitar que a infecção por Cândida se espalhe quando um parceiro sexual estiver infectado, o tratamento pode ser prescrito para ambos.

Dermatofitose anal ou perianal

Quando forem encontrados dermatófitos no quadro de prurido anal, essa infecção fúngica também deve ser tratada adequadamente.
✓ Em quadros cutâneos localizados, o tratamento de escolha são os antifúngicos em creme. Podem ser aplicados uma a duas vezes ao dia por 15 a 30 dias, dependendo do quadro clínico e da extensão da dermatofitose. Existem no mercado vários antifúngicos tópicos. Dentre estes, o mais específico para os fungos dermatófitos é o cloridrato de terbinafina. O clotrimazol é mais usado no Brasil porque têm um amplo espectro de ação.
✓ Em quadros mais extensos de dermatofitose anal o tratamento de escolha são os antifúngicos orais. Esta modalidade não dispensa o tratamento tópico.  O cloridrato de terbinafina em comprimidos de 250 mg é o medicamento mais ativo contra fungos dermatófitos. Outros antifúngicos indicados são do grupo dos azóis como o itraconazol em comprimidos de 100 mg e o fluconazol em comprimidos de 150 mg. O tratamento tem duração média de 15 a 30 dias.
✓ Para prevenção é necessário um cuidado com a higiene íntima e evitar contaminar-se em banheiros públicos, balneários, piscinas públicas e de academia usando roupas ou sapatos adequados. Durante o verão, se faz necessário evitar ficar com roupas úmidas por tempo prolongado. ​

Parasita anal ou perianal

✓ Os mais comuns incluem Enterobius vermicularis (oxiuros), Sarcoptes scabiei (“sarna”) e Pediculosis pubis (“chato”).
Infestação por oxiuros ou enterobíase
O tratamento é com mebendazol ou albendazol em dose única. A nitazoxanida 1 comprimido de 100 mg 3 vezes ao dia durante 3 dias tem a vantagem de tratar outras parasitoses associadas.
✓ ​Escabiose (ou Sarna) e Pediculose pubiana (Chato)
Ivermectina, comprimido de 6 mg, por via oral em dose única, com repetição após 14 dias.
25 a 35 kg – 1 comprimido
36 a 50 kg – 1 ½ comprimidos
51 a 65 kg – 2 comprimidos
66 a 79 kg – 2 ½ comprimidos
≥ 80 kg – 200 mcg/kg

Eczema anal ou perianal

✓ Com relação ao eczema anal, as diretrizes da Academia Européia e Americana de Alergia, Asma e Imunologia recomendam o início do tratamento com cuidados básicos com a pele.
✓ As chaves para o sucesso incluem evitar alérgenos, irritantes e roupas íntimas apertadas, uso liberal de banhos de assento mornos para conforto e manter a área afetada seca em todos os outros momentos.
✓ Como mencionado acima, recomenda-se uma limpeza suave e completa da área perianal com substitutos de sabão durante o banho. BAIXE AS ORIENTAÇÕES GERAIS AQUI!
✓ Quando esses métodos falham, recomenda-se um creme de corticoide leve (hidrocortisona em creme a 1%) a moderadamente potentes (aceponato de metilprednisolona em creme a 0,1%), aplicado duas vezes ao dia por períodos de 2 a 3 semanas.
✓ Inibidores tópicos de calcineurina, como tacrolimo pomada, é eficaz em reduzir a inflamação e coceira em pacientes com eczema anal e evitar atrofia da pele. Usado 2 vezes ao dia por até 3 semanas. Pode ser utilizado na manutenção do tratamento para prevenção de surtos dos sintomas e para prolongar os intervalos livres de surtos em pacientes que possuem alta frequência de exacerbação da doença (isto é, 4 ou mais vezes por ano) que tiveram uma resposta inicial a um tratamento máximo de 6 semanas, 2 vezes ao dia, com tacrolimo pomada (lesões que desapareceram, lesões que quase desapareceram ou áreas levemente afetadas).

Dermatite atópica anal ou perianal

✓ Também conhecida como eczema atópico.
✓ O tratamento da dermatite atópica começa com o uso de cremes de barreira como a vaselina (aplicada com gaze ou algodão) ou dexpantenol creme.
✓ Caso não melhore e nas formas moderada a graves recomenda-se um creme de corticoide de potência leve (hidrocortisona em creme a 1%) ou moderada (aceponato de metilprednisolona em creme a 0,1%), aplicados duas vezes ao dia por períodos de 2 a 3 semanas.
✓ Se esses não surtirem efeito, você poderá precisar de medicações orais.

1- Antipruriginosos podem ajudar com a coceira que acompanha essa doença.

✓ Cetirizina 10 mg ou loratadina 10 mg ou fexofenadina 180 mg são anti-histamínicos de segunda geração (causa pouca sedação, com mínimos efeitos na atividade psicomotora) via oral a cada 24 horas. Recomenda-se tomar 2 a 3 horas antes de deitar-se à noite devido a sonolência e coceira noturna que pode ser um fator contribuinte sério em muitos casos de prurido primário anal. Esta classe de medicamentos está especialmente recomendada aos pacientes que apresentem outras manifestações alérgicas como rinite, conjuntivite ou urticária.

O tratamento da urticária crônica é prolongado, necessitando de persistência e uma relação de confiança com o médico. Um dado importante é que o anti-histamínico deve ser tomado diariamente (como uma medicação preventiva), e não apenas quando aparecerem os sintomas.

✓ Cloridrato de Hidroxizina 25 mg, via oral, 3 a 4 vezes ao dia, ou seja, de 8 em 8 horas ou de 6 em 6 horas, respectivamente. Tratamento restrito a 10 dias. Tendo em vista a possibilidade de ocorrência de sonolência durante o uso de os pacientes devem ser alertados quanto à condução de veículos, ao manuseio de máquinas perigosas e outros equipamentos que requeiram atenção.

2- A corticoterapia sistêmica (corticoide oral) é um recurso de exceção utilizado no tratamento de pacientes com dermatite atópica anal refratária. Não há estudos que avaliem o impacto deste tratamento na melhora a longo prazo.

Psoríase anal ou perianal

A psoríase não é uma doença curável, mas os sintomas podem ser bem controlados. O tratamento da psoríase em uma área com pele tão sensível requer cuidados especializados. O tipo mais comum de psoríase que as pessoas experimentam na área genital é a psoríase inversa, seguida pela psoríase em placas.

A psoríase genital pode ser difícil de tratar; portanto, seu gerenciamento geralmente requer persistência. Devido à sensibilidade da pele genital, o tratamento requer alguma consideração especial. É importante lembrar que os tempos de resposta aos tratamentos variam entre os indivíduos. Se o seu tratamento não estiver funcionando, consulte seu médico para discutir outras opções de tratamento. ​

O tratamento tópico pode trabalhar para hidratar, aliviar dores e coceira, reduzir a inflamação ou retardar a alta taxa de crescimento das células da pele. Os tratamentos tópicos comumente usados ​​para tratar a psoríase genital incluem: corticoides de baixa potência (creme de hidrocortisona a 1%), calcipotrieno ou colecalciferol (derivado da vitamina D) e tazaroteno ou palmitato de Retinol (derivado da vitamina A).

Alguns tratamentos para o eczema também foram eficazes no tratamento da psoríase, como o tacrolimo pomada. ​

O uso regular de hidratantes (substâncias hidratantes possuem a capacidade de permear a camada córnea, por isso, agem mais profundamente e por toda a extensão da pele, a ureia é uma das mais importantes substâncias hidratantes) e emolientes (são substâncias que amaciam e suavizam a pele, dando flexibilidade e ainda agem formando uma espécie de camada protetora na pele, prevenindo contra a perda de água como: óleos vegetais, ácidos graxos e lipídios não gordurosos, com consistência mais fluida, que espalham facilmente) é importante e deve manter-se tanto na fase de crise quanto na remissão do quadro clínico.

Use corticoide tópico com cuidado e conforme indicado pelo seu médico. O uso prolongado de corticoides tópicos pode atrofiar permanentemente a pele e causar estrias.

Os hidratantes vendidos sem receita podem ser usados ​​para manter a pele hidratada ou reduzir a coceira. Seja cauteloso, pois os ingredientes de algumas loções ou cremes podem irritar a pele sensível da área genital. Procure produtos sem fragrâncias e perfumes.

Fototerapia. A luz ultravioleta B (UVB) pode ser usada para tratar alguns locais da psoríase genital. As doses tendem a ser menores do que aquelas usadas para tratar a psoríase em outras áreas do corpo devido à preocupação com queimaduras solares.

Produtos biológicos ou tratamentos orais
​Tratamentos sistêmicos, como biológicos e orais, geralmente não são prescritos apenas para a psoríase genital. Eles podem ser eficazes no tratamento da psoríase genital e podem ser considerados para pessoas que também têm psoríase em outros lugares ou para aquelas que não respondem bem a outras opções de tratamento.

Dermatite seborreica anal ou perianal

✓ A dermatite seborreica responde bem a 2% de enxofre com 1% de loção de hidrocortisona ou miconazol.
✓ Uma variedade de tratamentos é eficaz para o tratamento da dermatite seborreica. Os principais pilares do tratamento são os corticoides tópicos leves (creme de hidrocortisona a 1% ou desonida a 0,05% uma a três vezes ao dia) e agentes antifúngicos tópicos usados ​​uma ou duas vezes por dia, ​​isoladamente ou em combinação (creme de miconazol + hidrocortisona ou clotrimazol + acetato de dexametasona). 
✓ Os inibidores tópicos da calcineurina (tacrolimo pomada) podem ser tratamentos úteis, em particular quando a rosácea e a dermatite seborreica se sobrepõem. 
✓ Casos graves necessitam do acompanhamento com a dermatologia.

Líquen escleroso anal ou perianal

​O líquen escleroso é inicialmente tratado com corticoides tópicos.
✓ Cremes tópicos de corticoides potentes, como o clobetasol a 0,05%, por um período curto (4-6 semanas), seguidos de creme de hidrocortisona menos potente, são a base do tratamento.
✓ Os corticoides sistêmicos são administrados apenas em casos muito graves.
✓ Inibidores tópicos da calcineurina (tacrolimo pomada) são alternativas eficazes em pacientes que falharam na terapia com corticoides potentes ou que têm uma contra indicação para o uso de corticoides.
✓ O tratamento com cremes retinóides e testosterona pode ser útil em casos seletivos.

Líquen simples crônico ou neurodermatite anal ou perianal

✓ O tratamento começa com corticoide tópico para diminuir a inflamação e interromper o ciclo de coceira e arranhões.
✓ Cremes anti-histamínicos como: maleato de dexclorfeniramina, doxepina a 1% ou capsaicina a 0,075% aplicado como uma fina camada, na área afetada, de 3 a 4 vezes ao dia) são adjuvantes eficazes dos corticoides tópicos
✓ Para pacientes que têm uma resposta fraca aos corticoides tópicos, o ácido acetilsalicílico tópico/diclorometano ou imunomoduladores, como o tacrolimo, mostraram resultados positivos.

Doença de Paget anal ou perianal

O tratamento da doença de Paget perianal requer ampla excisão local.
✓ A reconstrução dos tecidos frequentemente requer retalhos glúteos VY ou enxerto de pele, com a assistência de cirurgia plástica.
✓ A recorrência da doença é comum e pode ocorrer até uma década após a excisão inicial; portanto, é imprescindível o acompanhamento regular e de longo prazo.

Doenças sistêmicas como causa do prurido anal

✓ O tratamento eficaz do prurido anal em pacientes com doença sistêmica mal controlada ou exacerbada envolve um tratamento adequado da doença subjacente.
✓ A limpeza apropriada da pele, a aplicação de uma barreira tópica e os agentes antipruriginosos são a base do tratamento.
✓ ​Em nossa experiência, a doxepina e a gabapentina também são agentes antipruriginosos eficazes em pacientes com prurido induzido sistemicamente.
✓ ​Prurido crônico nesses pacientes também pode levar a liquenificação e infecções secundárias; antibioticoterapia sistêmica ou terapia antifúngica apropriada é necessária.


Isenção de responsabilidade
As informações contidas neste artigo são apenas para fins educacionais e não devem ser usadas para diagnóstico ou para orientar o tratamento sem o parecer de um profissional de saúde. Qualquer leitor que está preocupado com sua saúde deve entrar em contato com um médico para aconselhamento.