Cisto Pilonidal

Doença (Cisto) Pilonidal

Introdução:

A doença pilonidal incide principalmente em adultos jovens do sexo masculino entre a 2ª e a 4ª décadas de vida. As mulheres costumam apresentá-lo em idade mais precoce. Aparentemente, depois dos 45 anos, a doença deixa de ser reconhecida como entidade clínica. A afecção é rara em negros e é mais comumente observada em indivíduos peludos morenos, mas também é encontrada em louros imberbes.

Cisto

Cisto

Cisto

Cisto

A Doença Pilonidal representa uma afecção inflamatória crônica localizada na região sacrococcígea (logo no início do sulco interglúteo). A afecção é iniciada em pacientes geneticamente predispostos por apresentarem cavidades, recessos cutâneas na região sacrococcígea que, de forma adquirida, aglomeram-se pelos e cabelos soltos provocando uma reação de corpo estranho originando a doença.

Etiopatogenia:

Doença Pilonidal Assintomática:

É descoberta pela existência de um ou mais orifícios primários na linha média interglútea por onde pode sair um líquido e ainda aflorar alguns pelos. O paciente normalmente desconhece a sua presença.

Infecção Aguda:

Apresentam como um abscesso pilonidal, ou seja, uma tumoração, com flutuação central, na região sacrococcígea, causa de dor intensa, febre e grande impotência funcional. Geralmente drena-se espontaneamente, através de orifícios secundários laterais, ou o paciente acaba necessitando de drenagem cirúrgica para alívio dos sintomas. Na doença aguda, o estafilococo é o germe mais freqüentemente isolado.

Infecção Crônica:

Gráfico esquemático

Gráfico esquemático

Normalmente é este o paciente que procura o coloproctologista, relata uma história de alguns ou vários episódios de infecção recorrente na região sacrococígea, seguidos da drenagem de material purulento, ora espontânea ora cirúrgica. Ao exame físico destes pacientes, nota-se a presença do(s) orifício(s) primário(s) mediano(s), de onde podem despontar pelos longos, e dos orifícios secundários laterais, de onde costuma drenar uma secreção purulenta fétida. As bactérias mais frequentemente isoladas nesta forma de manifestação da doença são as coliformes e os germes anaeróbicos.

Tratamento:

Assintomáticos:

Não requerem tratamento.

Abscessos Pilonidais:

Sempre de tratamento cirúrgico.
São simplesmente drenados sob anestesia local.
Após a drenagem observa-se o paciente ambulatorialmente por vários meses até que este apresente ou não recidiva sintomática da doença pilonidal. Muitos pacientes poderão não mais apresentar queixas relativas à doença pelo resto da vida.

Abscesso

Abscesso

 

 

 

 

Infecção crônica:

Sempre de tratamento cirúrgico que pode ser aberto ou fechado.

Aberto

Aberto

Aberto

Compreende a exérese do cisto e de todos os trajetos secundários seguidos do fechamento por segunda intenção realizando curativos diários até a cicatrização completa em torno de 5 a 7 semanas.

Fechado

Fechado

Fechado

Compreende a exérese do cisto e de todos os trajetos secundários seguidos do fechamento primário através de pontos. Mesmo com os índices de recidivas maiores que o aberto a morbidade é bem menor, sendo o realizado na maioria dos pacientes.

Rotação Elíptica de Retalho Glúteo Lateral

Técnica

O procedimento cirúrgico consiste na excisão elíptica vertical de todo o tecido doente até a fáscia pós-sacral (Fig. 1).
A manipulação dos tecidos deve ser muito cuidadosa e suave evitando traumas desnecessários seguida de hemostasia (cauterização do sangramento) rigorosa. Um retalho elíptico de tamanho e forma semelhante ao tecido retirado é desenhado na região glútea (nádega) esquerda e posteriormente incisado (cortado) até a fáscia glútea deixando uma ponte na região inferior de no mínimo 10 mm, por onde o retalho será nutrido (Fig. 2).
Este retalho é girado pela ponte inferior e colocado sobre a área cruenta pós-sacral (região onde o cisto foi retirado) e suturado subcutaneamente com vicryl 3-0 começando de sua extremidade inferior. O ponto deve incluir a fáscia pós-sacral para não deixar espaço morto. A pele é suturada com pontos Donati utilizando nylon ou prolene de 3-0. A área doadora do retalho é suturada por planos a semelhança anterior e com o mesmo material (Fig.3). Nenhum dreno é usado.

Retalho

Retalho – Fig.1, 2 e 3

 

Resultado após 12 dias ). Fonte: Dr. Derival

Resultado após 12 dias ). Fonte: Dr. Derival

Recomendações

O retalho lateral glúteo cutâneo elíptica é recomendada para pacientes selecionados, especialmente aos recidivados e para os com deiscência do sulco interglúteo. Oferece conforto ao paciente, alta hospitalar precoce e baixa taxa de recorrência.

Resultados

Foram tratados vinte pacientes com cisto pilonidal crônico com esta técnica. Seguimento médio de 42 meses. O número dos casos era poucos porque o hospital dos autores é um centro de indicação para doenças gastrointestinais complicadas, e a maioria destes pacientes normalmente recorre a centros primários. Conclusão Todos os pacientes receberam alta hospitalar no primeiro dia de pós-operatório com medicação para dor via oral.

Foram instruídos ao repouso na cama evitando sentar precauções sanitárias habituais (lavar três vezes ao dia) até a retirada dos pontos (8° ao 10° dia). Nenhuma orientação depilatória é recomendada

Referências

Yazicioglu B, Polat C, Gokce O. Elliptical rotation flap for pilonidal sinus. Am J Surg. 2006 Jan;191(1):142; author reply 142.

Técnica Cirúrgica de Invasão Mínima

Pode-se optar por tratá-la por meio de procedimentos cirúrgicos de invasão mínima, se houver recidiva, até que a moléstia entre na fase assintomática, o que normalmente ocorre após os 45 anos.

Considerações Finais

Em todos é essencial impedir que pelos cresçam para o interior das feridas cirúrgicas em cicatrização para a diminuição dos índices de recidiva de cistos pilonidais operados. Os pelos em torno da ferida (tratamento fechado ou aberto) devem ser raspados no mínimo 3 vezes por semana e os maiores e localizados nas nádegas devem ser escovados lateralmente.