Hemorróidas

Introdução:

O termo hemorróidas tem sido utilizado para designar uma afecção anal hemorrágica e desconfortante, decorrente de dilatações dos plexos hemorroidários localizados no segmento anorretal; essa denominação não é correta, uma vez que se sabe que hemorróidas são as veias dos plexos hemorroidários encontrados em todas as faixas etárias e, portanto, estruturas normais da anatomia humana. Do ponto de vista anatômico, as hemorróidas são, primariamente, plexos venosos normais situados na parte superior do canal anal, presentes desde o início da vida embrionária, e que podem ser observados através da anuscopia como coxins vasculares submucosos.

As hemorróidas estão localizadas na região anorretal e podem ser divididas em duas estruturas vasculares distintas: plexo hemorroidário superior, que é submucoso, e inferior, que é subcutâneo.

A tendência atual, em Coloproctologia, é a de considerar como portadores da Doença Hemorroidária as pessoas em que a dilatação varicosa destas veias é o suficiente para provocar algum sintoma.

Aspectos epidemiológicos:

A doença hemorroidária pode ocorrer em ambos os sexos e principalmente entre a quarta e a sexta décadas de vida'” com decréscimo após os 65 anos de idade. O desenvolvimento de doença hemorroidária antes dos 20 anos de idade não é comum. O índice de prevalência da doença hemorroidária é em torno de 4,4%, na população geral e pode chegar a 50% dos adultos acima de 50 anos. Indivíduos brancos parecem ser mais afetados do que os negros e a prevalência da doença cresce na medida em que o nível socioeconômico da população aumenta.

Etiopatogenia:

As hemorróidas se formam com a congestão e hipertrofia progressivas das veias hemorroidárias (coxim fibrovascular).

Hemorróidas não são varizes. São formadas por coxins vasculares hipertrofiados e descontínuos na submucosa do canal anal. Normalmente estão presentes, mas não produzem sintomas até que os tecidos fibromusculares de suporte acima dos coxins vasculares deteriorem. Isto permite que os coxins deslizem e exteriorizem pelo ânus causando os sintomas. Esta ancoragem se deteriora com a idade, e que este fenômeno se torna evidente na terceira década de vida.
O esforço evacuatório promove a congestão das hemorroidárias, que rapidamente se esvaziam após a passagem das fezes. Como consequência da constipação intestinal, o esforço prolongado para a defecação mantém estas veias para fora do ânus, agravando e acelerando o desenvolvimento das hemorróidas; também ocorre durante a gravidez e nos halterofilistas pelo aumento da pressão intra-abdominal. A hereditariedade é um fator importante na gênese das hemorróidas, sendo comum observar o relato de vários casos em uma mesma família.

 

Classificação:

Quanto à sua localização, a doença hemorroidária pode ser interna, externa e mista.

As hemorróidas internas localizam-se acima da linha pectínea (metade interna do canal anal) e é recoberto por mucosa colunar ou epitélio transicional insensível.

As hemorróidas externas ocorrem abaixo da linha pectínea (metade externa do canal anal) e são recobertas por epitélio escamoso ou do tipo cutâneo sensível.

Mistas: associação das hemorróidas internas e externas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A maioria dos pacientes possui três mamilos hemorroidários internos principais (localizados nas áreas anterior direita, posterior direita e lateral esquerda no posição de litotomia), em conseqüência das ramificações da artéria retal superior. Com a evolução da doença surgem os mamilos hemorroidários acessórios entre os principais.

As hemorróidas internas são classificadas em:

1º grau – hemorróidas internas que ao evacuar e aos esforços físicos sangram sem exteriorizar-se pelo anus.

2º grau

2º grau – hemorróidas internas que ao evacuar e aos esforços físicos sangram e exteriorizam-se pelo anus e retornam espontaneamente para o interior do ânus cessando os esforços.

 

 

 

 

 

 

 

 

3º grau

3º grau – hemorróidas internas que ao evacuar e aos esforços físicos sangram e exteriorizam-se pelo anus, necessitando da redução digital para o interior do ânus.

4º grau

4º grau – hemorróidas internas que estão permanentemente exteriorizadas sem a possibilidade de ser recolocados para o interior do ânus

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Quadro clínico:

Externas:

As hemorróidas externas podem dificultar a higiene ficando a região perianal com resíduos fecais e umidade causando irritação, coceira, ardor ou dor de graus variáveis. Quando inflama aumenta de tamanho causando dor moderada a intensa contínua que piora ao sentar, evacuar e ao andar. Elas são facilmente palpáveis por estarem exteriorizadas.

Internas:

Seu principal sintoma é o sangramento que caracteristicamente ocorre durante e após a defecação, em geral de fezes sólidas ou ressecadas. O sangue pode recobrir as fezes ou gotejar continuamente após sua saída e quando repetitivo pode ser causa de anemia. A exteriorização pelo anus pode ou não ocorrer, ver a classificação. Em geral, não se acompanha de dor, mas ocasionalmente, podem, após apresentarem prolapso, ser aprisionadas pelo ânus e evoluírem para o pseudoestrangulamento hemorroidário (ou prolapso com trombose hemorroidária interna), afecção extremamente dolorosa e incapacitante. Com o prolapso costuma ocorrer o acúmulo de secreção mucosa com resíduos fecais que suja o ânus e pode manchar as roupas íntimas ou ser causa de coceira anal.

Mistas:

Apresentam os sintomas das internas e externas.

Complicações mais freqüentes:

Trombose Hemorroidária Externa

Normalmente é o sinal que leva o paciente ao médico.

A trombose hemorroidária externa consiste na formação de um coágulo no interior de um vaso hemorroidário externo. Ela é percebida como um caroço duro doloroso ou sensível. Em um mesmo momento, podem surgir um ou mais coágulos. Ocorre sangramento se existir ruptura da pele local. O esforço evacuatório aumentando ou prolongado, o trauma anal provocado por passagem de fezes endurecidas ou uma contração abdominal exagerada para carregar peso podem provocar o surgimento da trombose hemorroidária. Tentativas de introduzir a trombose hemorroidária externa no canal anal são infrutíferas e equivocadas, pois não se trata de uma hemorróida interna que se exteriorizou pelo ânus (prolapso), não devendo ser realizadas.

Sintomas leves a moderados
1- Podem ser aliviados frequentemente pelo acréscimo de uma quantidade de fibra (isto é, frutas, vegetais, pão integral e cereais) e líquidos na dieta. Eliminando o esforço excessivo para evacuar, reduz-se a pressão nas hemorróidas e ajuda a prevenir a protrusão.
2- Banhos de assento – sentar sobre água morna durante 5 a 10 minutos – pode proporcionar algum alívio.
3- Poderá ser útil o uso de analgésicos, antiinflamatórios e/ou pomadas anestésicas (proctyl) para alívio da dor. Observação: esses medicamentos não interferem acelerando a resolução do quadro, somente proporciona alívio da dor, portanto devem ser utilizados somente com essa finalidade.
4- Creme a base de cumarina e heparina sódica (VENALOT-H®). Inibem a formação de edemas inflamatórios locais, promovendo a diminuição dos edemas e acelera a regeneração dos capilares no tecido lesado e melhora a circulação da rede capilar. Não deve ser usado em lesões abertas (solução de continuidade) ou em pacientes com hipersensibilidade conhecida aos componentes da fórmula.
5- Na prática clínica, os venotônicos (Venalot, Diosmin entre outros) se mostram úteis também na redução do processo inflamatório das tromboses. Salienta-se que estas medicações não causam a cura, mas funcionam como auxiliares no controle da dor e acelera a reabsorção do trombo.

Com essas medidas, a dor e o inchaço da maioria das hemorróidas reduzirão em 2 a 7 dias, e a nodulação firme deverá retroceder (será absorvida pelo próprio organismo) dentro de 4 a 6 semanas.

Em casos severos, dor persistente, seu médico deve ser consultado para remover o coágulo contido na hemorróida com uma incisão pequena sob anestesia local. A cirurgia geralmente proporciona alívio.

Na maioria das vezes, sua resolução é espontânea, com desaparecimento da dor após alguns dias, embora a saliência possa permanecer por semanas. Mesmo após o desaparecimento completo do trombo, a pele pode não retornar ao seu estado anterior, um plicoma anal permanecendo como sequela do ocorrido.

Concluindo, a trombose hemorroidária externa pode ocorrer em pessoas de quaisquer idades, independentemente de apresentarem doença hemorroidária crônica.

Trombose hemorroidária externa

Trombose Hemorroidária Externa

Pseudoestrangulamento Hemorroidário

O pseudoestrangulamento nada mais é do que uma crise congestiva intensa, processada nos dois plexos hemorroidários, superior e inferior. Às vezes a crise é mais acentuada no plexo superior, outras vezes no inferior. Mais raramente só num dos plexos neste caso, o inferior.

Algumas vezes a crise se manifesta somente na metade da circunferência anal, a outra metade nada apresentando de anormal. Quando a crise atinge os dois plexos o ânus apresenta um tumor arredondado ou ovóide de um tamanho que varia de um limão a uma maçã, formado por duas coroas separadas por um sulco. Uma coroa interna, mucosa, arroxeada, irregular, com pequenos sulcos separando os mamilos e uma externa, cutânea, mais lisa e em geral mais volumosa, num tom cinza que varia com a tonalidade da pele do enfermo.

Depois de 3 ou 4 dias, por causa da distenção sofrida, a parte mucosa, menos elástica que a cutânea, apresenta num ou noutro ponto uma placa escura. É um esfacelo da mucosa, conseqüência da isquemia resultante da distenção prolongada. Este esfacelo atinge apenas a superfície e não o conteúdo do mamilo. É fácil retirar o pequeno esfacelo com uma pinça de dissecção e verificar que o conteúdo do mamilo está intacto. O esfacelo é sempre pequeno, geralmente na mucosa e num só dos mamilos. Excepcionalmente o mesmo pode acontecer na coroa cutânea, também limitada à superfície cutânea.

A fase aguda dura cerca de uma semana, as dores começam então a diminuir com a reabsorção dos exsudatos e quando forma a escara (placa escura) que em alguns dias se rompe dando saída a trombos e sangue líquido. A superfície cruenta cicatriza, pouco a pouco, e os coágulos e o edema seroso são também reabsorvidos e o volume vai lentamente reduzindo-se até desaparecer em média 30 dias após.

Não houve cura dos mamilos, nem gangrena, nem estrangulamento algum. A crise, abandonada a si mesma, termina sempre em reabsorção do tumor. O enfermo continua com as suas hemorróidas até nova crise.

Aliviado do sofrimento, ele tem nos primeiros tempos a impressão de que ficou bom. Mas sofreu inutilmente um mês, perdeu pelo menos 25 dias e cedo se convencerá que não ficou curado.

O toque digital mostra que o ânus está permeável, sem nenhuma constrição, antes relaxado que apertado.

Aqueles que erradamente se obstinam em reduzir o volume o conseguem quase sempre, embora com grande sofrimento para o pciente e pronta saída do volume, porque sendo este em parte externa, a redução não pode ser mantida. As manobras de redução, pelo traumatismo brutal e pela falta de assepsia, aumentam a congestão local e, portanto o volume e possibilitam uma inflamação secundária, agravando a crise e dando uma base falsa à teoria inflamatória. Nunca se formam abscessos senão como conseqüência das tentativas de redução sem nenhuma assepsia, fazendo-se uso de panos e papéis para introduzir o tumor que é escorregadio pela mucorréia que o reveste. Por maior que seja o volume do tumor formado, a crise termina sempre em resolução.

A crise pode e deve ser operada imediatamente. Poupa-se ao doente muito sofrimento e perda inútil de horas de trabalho. Perigo não há nenhum porque não se trata de processo inflamatório, é exclusivamente congestivo, não havendo causa alguma infecciosa, a não ser trazida do exterior e por mão e objetos infectados.

Quando, porém a operação não pode ser realizada porque o enfermo a recusa ou as condições não a permitem, por falta de recursos, de meios de transporte, deve-se então usar os maiores paliativos que podem melhorar os sofrimentos do enfermo e apressar a reabsorção do edema e dos tombos.

Para as dores, os analgésicos nos primeiros dias, se não suprirem totalmente, melhoram o suficiente para suportar o tratamento paliativo local. As compressas quentes são melhores que as frias. As pomadas são de pouca utilidade. O repouso é útil, por causa da aplicação das compressas úmidas. A alimentação deve ser normal sem ser excessiva, e a evacuação não piora a situação do enfermo e não deve ser evitada.

Pseudoestrangulamento Hemorroidário

Tratamento:

As hemorroidas externas quando sintomáticas geralmente tem indicação de tratamento cirúrgico, e as hemorroidas internas podem ser tratadas de forma conservadora, de acordo com o seu grau, até que o paciente escolha o tratamento e o momento de realizá-lo, porque quando sintomáticas indica-se algum tratamento além do clínico, pela tendência à piora progressiva.

Clínico:

Medidas Gerais
O tratamento clínico inicial da DH é baseado em medidas gerais de higiene, como banhos de assento com água morna, minimização do uso de papel higiênico e evacuações rápidas, sem longos períodos no vaso sanitário. Os banhos com temperatura próxima dos 40 graus ajudam a relaxar a musculatura esfinteriana interna e reduzem o desconforto. Recomenda-se igualmente uma boa ingesta de líquidos.

Além disso, recomenda-se a utilização de fibras e emolientes fecais no sentido de se reduzir o trauma no canal anal durante as evacuações, no tratamento e prevenção de constipação intestinal associada.

Uma metanálise que incluiu 7 estudos demonstrou redução de 53% dos sintomas decorrentes da DH nos pacientes que utilizaram fibras frente aos controles.
Sabe-se que a cura da DH somente é atingida com o tratamento cirúrgico, entretanto, alguns medicamentos são utilizados como coadjuvantes no pré e no pós-operatório para se minimizar o desconforto importante existente. Em algumas situações, a utilização de venotônicos e pomadas e emolientes de uso tópico é recomendada na DH não complicada.

Tratamento Tópico
A utilização de medicamentos tópicos incluindo agentes anestésicos locais, adstringentes, corticoides e antissépticos apresenta ampla aceitação pelos pacientes e indicação pelos médicos para o tratamento clínico da doença hemorroidária. Vários estudos clínicos têm demonstrado a eficácia do tratamento tópico na redução da ardência, prurido, dor e sangramento. Definitivamente, há maior benefício com o uso das pomadas sem corticosteroides na suacomposição (Proctyl pomada).

O uso a médio e longo prazo de corticoides na região anal aumenta a possibilidade de atrofia da mucosa, além de diminuir a capacidade de cicatrização local.

Tratamento com Venotônicos
Os venotônicos são uma classe heterogênea de medicamentos utilizados para tratamento de insuficiência venosa crônica e hemorroidas. Sua utilização na doença hemorroidária é baseada principalmente nas hemorroidas internas de primeiro e segundo grau sintomáticas, além da trombose hernorroidária. Sua ação aumenta a resistência das paredes das veias hemorroidárias, aumento do tônus venoso e normalização da permeabilidade capilar. Em consequência, uma melhora do sangramento e desconforto na região anal pode ser observada. (Venalot e Diosmin).

Tratamento Conservador:

O tratamento em consultório da doença hemorroidária inclui algumas opções clínicas.

Dentre elas, destacam-se a ligadura elástica através do anuscópio ou por via endoscópica. Os objetivos destes tratamentos são diminuir a vascularização ou o volume das hemorróidas e/ou aumentar sua fixação à parede retal. Como resultado, obtém-se a redução dos sintomas de prolapso e sangramento.

Ligadura elástica das hemorróidas através do anuscópio: VEJA MUITO MAIS

Até três mamilos hemorroidários podem ser tratados numa única consulta, com muito pouco desconforto. Um anel elástico de borracha é disparado sobre a base da hemorróida, de forma a estrangulá-lo e assim evoluirá para a necrose e se destacará, sendo eliminado, juntamente com o anel elástico dentro de 7 a 10 dias. É o tratamento atual de eleição para hemorróidas de 1° e 2º grau, que, com o seu advento, só são operadas em 20% dos casos.

Início da Aspiração

Mamilo Dentro do Cilindro

Anel na Base do Mamilo

 

 

 

 

 

Mamilo Ligado

Cicatriz Após 14 Dias

 

 

 

 

Ligadura elástica das hemorróidas por via endoscópica: VEJA MUITO MAIS

Em 1998 foi publicada por Sadahiroet al.a classificação da doença hemorroidária pela retroflexão do colonoscópio no reto correlacionando o achado endoscópico (coloração e elevação da mucosa) com a classificação de Goligher JC.
Berkelhammeret al. foram os primeiros a descrever em 2002 a ligadura elástica das hemorróidas usando o endoscópio flexível em retroflexão.

A ligadura elástica das hemorróidas utilizando a endoscopia flexível é um progresso importante no tratamento das hemorróidas internas sintomáticas.
As vantagens incluem: a possibilidade de fazer mais ligaduras por aplicação, a sedação proporciona maior conforto, maior manobrabilidade com maior campo de visão, permite documentação com fotos e vídeos. Portanto, com base na literatura e em experiência própria a ligadura elástica das hemorróidas por endoscopia flexível é simples, viável, bem tolerada, eficaz e segura para o tratamento das hemorróidas internas de pacientes selecionados. As taxas de sucesso após a primeira aplicação é alta, cerca de 90%, associado a baixas taxas de recorrência a longo tempo.

TÉCNICA

A sedação é opcional, mas é aconselhada por proporcionar conforto ao paciente. É rotina quando realizado juntamente com a colonoscopia.
Utiliza-se apenas um elástico para cada ligadura. Inicia-se a ligadura pelo maior mamilo e o primeiro elástico é colocado próximo à linha pectínea, 1 a 2 mm acima, em número suficiente para ligar todos os mamilos (6 a 12 ligaduras), e coladas ajustadas para que não fique nenhum tecido hemorroidário entre as ligaduras (foto B). A mucosa retal, junto aos mamilos ligados, é aspirada e ligada, quando possível, na tentativa de evitar a descida da mucosa e dos coxins vasculares da parte superior do canal anal, uma das causas das recidivas. O mamilo hemorroidário aspirado é estrangulado pelo elástico desprendido adquirindo o aspecto polipóide.  Após completar as ligaduras, a ponteira é removida e o aparelho reintroduzido para verificar o resultado. É considerado satisfatório quando as ligaduras estão localizadas proximalmente a linha pectínea e o paciente não relata dor forte (foto B). O tecido apreendido sofrerá necrose em 3 a 5 dias e após as queda úlceras rasas de formarão.
O tempo gasto no procedimento varia de 20 a 40 minutos.
Novas aplicações podem ser realizadas após 30 dias, caso o resultado não tenha sido satisfatório, pela permanência ou melhora apenas parcial dos sintomas. Geralmente consegue-se erradicar as hemorróidas em cerca de 90% dos casos com apenas uma aplicação.

Fukuda A, Kajiyama T, Arakawa H, et al. Retroflexed endoscopic multiple bandligation of symptomatic internal hemorrhoids. GastrointestEndosc2004; 59:380-4.

Hemorróidas internas segundo a endoscopia flexível.

Classificadas de acordo com a ocupação da circunferência anal:
• Normal – ausência;
• I Grau – ocupa um quarto da circunferência anal;
• II Grau – ocupa metade da circunferência anal;
• III Grau – ocupa três quartos da circunferência anal;
• IV Grau – ocupa toda a circunferência da circunferência anal.

Ligadura elástica com o anuscópio versus ligadura elástica por endoscopia flexível.

O kit de ligadura por endoscopia com o cilindro de 9 mm de diâmetro com dois tambores destes elásticos custa em torno de 1200 reais (total de 12 ligaduras). O elástico convencional custa 2 reais e normalmente utilizam-se 3 a 6 anéis por dia de ligadura.
Estudo randomizado revela o equilíbrio das duas técnicas (por endoscopia flexível e por anuscopia) no controle do sangramento e na incidência de complicações. Entretanto, a ligadura elástica por endoscopia flexível proporciona até 90% de erradicação das hemorróidas em apenas uma aplicação, enquanto a ligadura convencional consegue esta erradicação em menos de 16% dos pacientes.
O custo da ligadura por endoscopia gira em torno de 2000 reais enquanto a por anuscopia varia de 300 a 1200 reais dependendo do número de aplicações gastos para a erradicação, cada aplicação tem um custo médio de 300 reais.
Nos 10% em que não se consegue a erradicação das hemorróidas com o Kit de 12 elásticos pode-se completar o tratamento pela técnica com o anuscópio.
A realização da colonoscopia de rastreamento imediatamente antes proporciona que a ligadura por endoscopia seja realizada sob sedação.

Tratamento Cirúrgico:

Trombose Hemorroidária Externa

Em casos severos, dor persistente, seu médico deve ser consultado para remover o coágulo contido na hemorróida com uma incisão pequena sob anestesia local. A cirurgia geralmente proporciona alívio imediato. A trombectomia (exérese cirúrgica do trombo) é uma ótima opção pela simplicidade e rápida resolução do processo.

Anestesia local

Anestesia local

Incisão elíptica

Incisão elíptica

Exérese do coágulo

Exérese do coágulo

Fechamento da ferida

Fechamento da Ferida

 

 

 

 

Doença Hemorroidária

O tratamento cirúrgico da doença hemorroidária deve ser oferecido, principalmente, aos pacientes com persistência dos sintomas após tratamento clínico ou conservador.
Para os pacientes incapazes de tolerar o tratamento conservador ou para aqueles que não o desejam e também para os portadores de hemorróidas sintomáticas volumosas, associadas ou não a prolapso mucoso do reto, o tratamento cirúrgico parece representar a melhor opção.

A despeito da dor pós-operatória representar o maior obstáculo a uma oferta mais disseminada da hemorroidectomia, e também ser esta o método que resulta em mais prolongada incapacidade do paciente no pós-operatório, o tratamento cirúrgico é a forma mais eficaz de tratamento da doença hemorroidária.

Técnica Aberta

É a mais consagrada e atualmente utilizada, as feridas resultantes da exérese das hemorróidas são deixadas abertas para cicatrizar por segunda intenção o ocorre geralmente em 30 a 45 dias.

Exposição e Tração dos Mamilos Mistos

Ressecção e Ligadura dos Mamilos

Aspecto Final com as Feridas Abertas

 

 

 

 

 

 

 

Técnica Fechada

As hemorróidas são retiradas e a pele e a mucosa do canal anal são reaproximadas com um chuleio contíneo de fio absorvível sintético pouco reativo e quando não ocorre deiscência cicatrizam por completo em 7 dias.

Ressecção do Mamilo Misto

Início da Sutura da Ferida

Fechamento Total da Ferida

 

 

 

 

 

 

Em qualquer técnica retira-se no máximo os três mamilos hemorroidários principais, tendo-se o cuidado de se deixar pontes cutaneo-mucosas interpostas entre as feridas, com no mínimo 1 cm de largura, para evitar a estenose anal pós-operatória.

Cuidados no Pós-operatório

 Orientações Gerais

1 – Evite o uso do papel higiênico.
2 – Faça a higiene anal com água (ducha ou bidê) e se possível lave com sabão neutro de glicerina e seque com toalha (de preferência) ou com papel higiênico.
3 – Faça as refeições em horários regulares.
4 – Procure criar o hábito de “estar na hora de evacuar” no lugar de “estar com vontade” e caso tenha vontade, tente sempre atendê-la. De preferência 20 minutos após o café da manhã com frutas e sucos. Pode realizar a massagem abdominal da direita para a esquerda.
5 – O ato evacuatório não deve ser demorado, fique cerca de 5 minutos, evite o esforço desnecessário e a leitura, concentre-se na evacuação.
6 – A alimentação não deve conter excesso de alimentos com poucas fibras (constipantes) tais como as massas, farinhas, arroz branco, doces, gelatinas, goiabas(sementes), maçãs (sem a casca).
7 – Respeite a necessidade diária de fibras – 20 a 30g.
a – Fibras Insolúveis – 70%: farelos de cereais (trigo, milho, granola, All Bran); grãos integrais (pão, cracker, cereais instantâneos); nozes, amêndoas, amendoim; frutas (pêra, maçã com casca) e hortaliças (brócolis, alface, couve, agrião).
b – Fibras Solúveis – 30%: leguminosas (feijão, lentilhas, ervilhas) e sementes; farelos (aveia, cevada e arroz); frutas (polpa da maça, laranja, banana, mamão, abacaxi) e hortaliças (cenoura e batatas).
c – Veja abaixo todos os alimentos com a quantidade de fibras em medidas caseiras.
8 – Farelo de trigo e/ou granola e/ou All Bran (compre-os nos supermercados).
Coloque 2 colheres de sopa em qualquer alimento (sopas, mingaus, leite de soja, arroz, feijão, bolo, cuscuz, pão, molho de macarrão, suco de frutas como manga,  laranja, uva, pêssego, etc.).
Inicie com 2 colheres por dia e vá aumentando 1 colher por semana, devendo chegar até a 6 colheres por dia. Faça vitaminas variando as frutas e deixando sempre que possível a casca.
9 – Semente de Linhaça (encontrado em supermercados).
Bata em liquidificador por alguns minutos, mas não deixe virar pó, guarde na geladeira em um vidro limpo e seco bem fechado e consuma em uma semana.
Coloque 1 colher de sopa em qualquer líquido e tome uma pela manhã e outra à noite.
10 – Inclua em sua dieta água e sucos naturais, na quantidade mínima de 1,5 litros por dia, distribuídas em 5 a 6 tomadas e de preferência longe das refeições.
11 – Evite ou use com moderação: condimentos (molhos picantes, vinagre, pimenta, pimentão, picles, catchup, mostarda, etc.), frutos do mar, cafés, enlatados e conservas, tomates e derivados, bebidas gasosas e alcoólicas fermentadas (champanhe e vinho do porto principalmente), leite e derivados, carne e gordura de porco. Tortas, biscoitos, bolos, doces, chocolate, castanhas em geral, amendoim, coco, avelãs e nozes.
12 -Faça exercícios não extenuantes. Comece andando ou nadando durante 30 a 40 minutos, no mínimo 3 vezes por semana.

Orientações Específicas ao Paciente

Ø  A saída precoce do leito após o término da anestesia pode ser desconfortável, mas se realizado com cuidado não causará nenhum problema e pode ajudar no processo de recuperação.
Ø  Após a alta hospitalar poderá deambular em casa livremente, mas não realize exercícios árduos ou carregue peso acentuado até que ocorra a cicatrização completa da ferida. Subir escadas, caminhar e conduzir veículos devem ser realizados com moderação nos primeiros dias.
Ø  Você pode (e deve) eliminar flatos (gases) e evacuar assim que sentir necessidade após a cirurgia. As evacuações sempre provocam algum desconforto ou mesmo dor, mas diminuirá à medida que o progresso de cicatrização ocorre.
Ø  O repouso e o retorno ao trabalho, geralmente em uma a duas semanas, dependerão da atividade exercida e será imposta pela dor ou desconforto que a mesma proporcionar.
Ø  Seguir com todo o rigor as orientações dietéticas, os cuidados locais e a prescrição médica. Não colocar pomadas ou outro produto que não tenha sido prescrito.
Ø  Retornar ao hospital na data marcada para controle clínico pós-operatório.
Ø  Os pacientes imunodeprimidos (diabéticos, HIV positivo, em uso de corticóides, etc.) devem ser submetidos a antibioticoterapia profilática para evitar uma   infecção generalizada.

Primeira Receita Padrão

USO ORAL     

1- Proflam® (aceclofenaco 100 mg)—- Embalagem contendo 12 comprimidos.
Tomar 1 comprimido de 12/12 hs nos primeiros 3 dias e continue no caso de dor.

2- Buscopan composto®  ——01 caixa.
Tome 01 a 02 comprimidos até de 6/6 horas no caso de dor.

3- Venalot (cumarina-15 mg/ troxerrutina-90 mg) – 60 drágeas.
Tome 1 comprimido de 12/12 horas.

4- Plantago Ovata (Planta Bem ou Povata)———–30 envelopes.
Coloque um envelope em 1 copo, acrescente água e tome pela manhã.

5- Muvinlax® ——-14g———-01 caixa.
Você deve evacuar pelo menos a cada 2 dias. Se dois dias passarem sem uma evacuação, adicione 5 envelopes no muvinlax em meio litro de água e tome. Se não houver resultado, repita a mesma dosagem 6 horas depois. Se o problema continuar persistir entre em contato comigo.

6- All Bran e/ou farelo de trigo e/ou granola –(compre em supermercados)-1 unidade.
Coloque 2 colheres de sopa em qualquer alimento (sopas, mingaus, leite de soja, arroz, feijão, bolo, cuscuz, beiju, pão, molho de macarrão, suco de frutas como manga, laranja, uva, pêssego, etc.).
Inicie com 2 colheres por dia e vá aumentando 1 colher por semana, devendo chegar até a 6 colheres por dia.

USO LOCAL

1- Proctyl®—–pomada——1 tubo.
Realizar banhos de assento em água morna (chuveirinho) pela manhã, à tarde, à noite e após cada evacuação (principalmente), durante 5 a 10 minutos, secar, usar a pomada e colocar um absorvente.

Segunda Receita Padrão

USO ORAL

1- Tramadol ——50mg——-01 caixa com 10 caps.
Se após administração de dose única de 50 mg o alívio da dor não for alcançado dentro de 30-60 minutos, uma segunda dose única de 50 mg pode ser administrada e pode repetir a cada 4 ou 6 horas.

Prognóstico:

Hemorróidas excisadas adequadamente por uma das técnicas de hemorroidectomia convencional não retornam. Outras hemorróidas, no entanto, podem vir a se formar com o passar dos anos, à semelhança das originais. É bom que isto seja explicado ao paciente, pois o mesmo deve ser orientado a instituir os hábitos que diminuem a tendência à formação de hemorróidas e que foram citados acima. É bem verdade, que não poderemos retirar a tendência inata do paciente ao desenvolvimento da doença hemorroidária ou desaconselhar uma gravidez numa paciente em idade fértil, mas devem ser aconselhados a evitar a constipação, a controlar a diarréia, a instituir um hábito intestinal saudável e a evitar atividades e atitudes que sabidamente são formadoras de hemorróidas (halterofilismo, ficar na posição de cócoras por períodos prolongados de tempo, etc).

Isenção de responsabilidade

As informações contidas neste artigo são apenas para fins educacionais e não devem ser usadas para diagnóstico ou para orientar o tratamento sem o parecer de um profissional de saúde. Qualquer leitor que está preocupado com sua saúde deve entrar em contato com um médico para aconselhamento.