Retite Actínica / Radiação

Introdução

Lesões no reto provocadas pela radiação (irradiação) da radioterapia para tratamento de cânceres da bexiga, do reto, da próstata, dos testículos e ginecológicos.
Retite Aguda: quase 50% dos pacientes apresentaram sintomas durante o tratamento radioterápico.
Retite crônica: em até 20% dos pacientes submetidos a essa modalidade terapêutica observa-se complicações em longo prazo.
Além disso, entre 5 – 10% dos pacientes que desenvolvem algum tipo de lesão crônica do reto irão apresentar sangramento importante que requerem tratamento imediato com transfusões sangüíneas.

Retite Aguda

As manifestações agudas (dor anorretal, tenesmo – aperto anal com dificuldade em iniciar a evacuação, diarréia, urgência fecal e descarga anal de muco e/ou sangue) ocorrerão em quase 50% dos pacientes e podem surgir horas após a primeira exposição, mas geralmente surge durante a primeira ou segunda semana ou até mesmo meses após o seu término, mas desaparecerão, na maioria dos casos, em 02 a 06 meses.

Tratamento

Baseia-se nos sintomas e achados endoscópicos.

  1. Em todos é recomendado o monitoramento cuidadoso do tratamento fracionando corretamente a dose total indicada para cada caso.
  2. Nos casos muito sintomáticos a simples diminuição da dose em 10% pode melhorar significativamente os sintomas.
    • Sintomas leves a moderados com a retoscopia Tipo I: hiperemia, palidez e/ou telangectasias.
      • Sedativos.
      • Antiespasmódicos (Buscopam Composto®).
      • Formadores de massa fecal (Plantaben® entre outros).
      • Analgésicos tópicos locais (Proctyl Supositórios®).
      • Banhos de assento mornos e Nutrição adequada.
    • Sintomas moderados a graves com a retoscopia Tipo II: erosões rasas.
      • As mesmas medidas de A.
      • Recomenda-se enemas de Sucralfato.

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    • Sintomas moderados a graves com a retoscopia Tipo III: ulcerações.
      • Suspensão temporária da radioterapia por uma a duas semanas.
      • Medidas de A e B.

Retite Crônica

Até 20% dos pacientes que recebem a terapia de radiação desenvolvem a forma crônica da retite actínica. O quadro clínico é determinado pela localização e gravidade das lesões. Dor anorretal, tenesmo – aperto anal com dificuldade em iniciar a evacuação, diarréia, urgência fecal, descarga anal de muco e/ou sangue e hemorragia anal volumosa.

Classificação endoscópica

Grau I – Menos de 10 telangiectasias.
Grau II – Mais de 10 telangiectasias com coalescência de no máximo 2 telangiectasias.
Grau III – Múltiplas telangiectasias coalescentes.
Grau IV – Úlceras.

Retite Crônica - Grau 1

Grau 1

Retite Crônica - Grau 2

Grau 2

Retite Crônica - Grau 3

Grau 3

Retite Crônica - Grau 4

Grau 4

 

 

 

 

 

 

 

Tratamento

Depende dos sintomas e da classificação endoscópica

  1. Sintomas leves a moderados com a retoscopia grau I.
    • Tratamento clínico
      • Sedativos.
      • Antiespasmódicos (Buscopam Composto®).
      • Formadores de massa fecal (Plantaben® entre outros).
      • Analgésicos tópicos locais (Proctyl® supositórios).
      • Banhos de assento mornos e Nutrição adequada.
      • Enemas de Sucralfato.
  2. Sintomas moderados a graves com a retoscopia grau II, III ou IV ou grau I que não responde ao tratamento clínico.
    • Tratamento Clínico
    • Eletrocoagulação com gás de argônio.A eletrocoagulação com argônio (APC) é um método de cauterização eletrocirúrgico, monopolar, no qual é aplicada uma corrente de energia de alta freqüência sem entrar em contato direto com o tecido. Essa energia é levada ao tecido pelo gás argônio ionizado. Potência de 50Watt com fluxo de 2,0l/min e pulso de 0,5s. Intervalo entre as sessões de 3 a 4 semanas.
    • Eletrocoagulação bipolar. Disponível no serviço. Eletrocoagulação endoscópica bipolar é executada com 10 a 15 W de potência usando a sonda Injection Gold Probe de 7 Fr, pulsos de 2 segundos aplicadas nas telangiectasias até 2 cm da margem anal, radialmente,
Injection Gold Probe

Sonda Injection Gold Probe

 

Dimensões – Sonda Injection Gold Probe

 

 

 

 

 

 

Sonda Bipolar (média de 4 sessões) com agulha de esclerose acoplada.

Retite Crônica - Grau 3

Grau III – Múltiplas telangiectasias
coalescentes com sangramento ativo

Probe bipolar realizando a coagulação

Probe bipolar realizando
a coagulação

Aspecto final após 3 meses

Aspecto final
após 3 meses

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

São necessárias em média 4 sessões para a erradicação das lesões com intervalos de 4 semanas. As sessões são realizadas até a parada completa ou redução importante do sangramento. Revisões a cada 4 ou 6 meses tratando sempre as telangiectasias residuais ou recidivadas.

Geralmente seis meses após o início do tratamento com a eletrocoagulação bipolar os pacientes têm o sangramento e a dor anorretais controladas.

O tratamento bipolar tem resultados semelhantes a eletrocoagulação com gás de argônio. Apresenta vantagens por causar menor lesão tecidual permitindo a aplicação tangencial e tem um custo mais baixo.

Estudos realizados demonstram parada ou redução importante do sangramento com poucas complicações.

Enemas de Sucralfato nas primeiras semana reduz os sintomas anorretais resultantes do tratamento.

Isenção de responsabilidade

As informações contidas neste artigo são apenas para fins educacionais e não devem ser usadas para diagnóstico ou para orientar o tratamento sem o parecer de um profissional de saúde. Qualquer leitor que está preocupado com sua saúde deve entrar em contato com um médico para aconselhamento.