Retossigmoidoscopia Rígida

Consiste na introdução pelo ânus do retossigmoidoscópio rígido para o exame do reto e do cólon sigmóide distal. É realizado a nível ambulatorial, sem uso de analgesia ou sedação. Normalmente causa um desconforto como sensação de evacuação, somente durante a sua realização. É uma das nossas mais valiosas ferramentas de diagnóstico clínico sendo considerado o instrumento ideal para avaliação destes segmentos. Pode revelar alterações na mucosa, lesões polipóides, câncer, alterações inflamatórias, estenose, malformação vascular ou distorção anatômica de massas extraluminais (compressão extrínseca).

A retossigmoidoscopia rígida é a última parte do exame proctológico. Veja Detalhes Deste Exame

O retossigmoidoscópio pode ser descartável ou metálico (reesterilizável). Utilizo na minha clínica o instrumento descartável, para sua segurança e praticidade.

Indicações

  1. Está indicado aos 40 anos para prevenção do câncer colorretal. É a última parte do exame proctológico. Recomenda-se repeti-lo a cada 5 anos.
  2. Avaliação de anastomoses colorretais no período trans-operatório ou no seguimento de doentes operados.
  3. Confirmação diagnóstica da esquistossomose intestinal por meio da biópsia retal.
  4. Está indicado a qualquer momento que aparecerem os seguintes sinais e sintomas:
    • Sangramento anal ou sangue nas fezes.
    • Catarro (muco ou secreção) nas fezes
    • Alteração do hábito intestinal (diarreia e/ou constipação).
    • Alteração na forma das fezes (afiladas ou em “bolinhas”).
    • Vontade frequente de evacuar, com evacuação incompleta.
    • Dor ou desconforto abdominal e/ou anal.
    • Sensação de gases ou inchaço abdominal.
    • Lesão (nódulo – caroço) anal.
    • Perda de peso.
    • Fraqueza.
    • Anemia.

Como se observa as indicações clínicas são comuns e não devem ser banalizadas.
Note bem! Nem todo sangramento anal é devido a hemorroidas.

Contra Indicações

Condições anais dolorosas tais como a trombose hemorroidária, a fissura anal, o abscesso anorretal, estenose anal e o pós-operatório recente de operação orificial. Nestas condições o exame é realizado sob sedação por narcose ou intravenosa.
Dificuldade de posicionamento.
É realizado em qualquer idade, mas em minha clínica só realizo o exame em pacientes a partir de 12 anos.

Preparo

Pode ser realizado na ausência de preparo intestinal principalmente se o paciente tiver evacuado recentemente.
Quando necessário emprega-se o seguinte preparo: Minilax 2 bisnagas: 1 bisnaga 2 horas antes do exame, aguarde 1 hora e aplique a outra. Download
Compre na farmácia.
Corte a ponta da cânula conforme o desenho. Com pressão firme, inserir suavemente a cânula após lubricá-la pelo ânus, comprimir a bisnaga, até ser expelido todo o conteúdo dentro do reto.
O jejum não é necessário, porém deve evitar alimentar-se após aplicar a última bisnaga do Minilax®.
Não há necessidade de sedação. No local da passagem do aparelho (canal anal) utilizo o anestésico tópico (lidocaína gel) que facilita a progressão do mesmo e diminui a sensibilidade dolorosa.

Duração

A retossigmoidoscopia rígida dura, em média, cinco minutos.

Descrição do Retossigmoidoscópio

O retossigmoidoscópio rígido descartável é composto de quatro partes:

  1. Corpo: fabricado em poliestireno cristal, transparente e centimetrado em 25 cm;
  2. Mandril: fabricado em poliestireno de alta densidade, na cor branca de 32 cm;
  3. Ponteira: fabricado em poliestireno de alta densidade, na cor branca;
  4. Guia para orientação de luz fria: fabricado em poliestireno de alta e baixa densidade, na cor preta de 4,4 cm de comprimento e 1,8 cm de diâmetro.

Diâmetro proximal: 2,2 cm;
Diâmetro distal: 1,8 cm;
Comprimento do corpo com a ponteira: 27 cm;
Comprimento Total: 32 cm.
Fonte de Luz.

Técnica

Quatro princípios que devem ser respeitados:
1- Rapidez.
2- Mínima insuflação de ar.
3- Conversar continuamente com o paciente: explicando, tranquilizando e distraindo.
4- Não provocar iatrogenias (traumas).

Geralmente o exame é realizado com o paciente na posição genupeitoral. O toque retal sempre precede para relaxar o esfíncter anal e afastar lesões no canal anal e reto inferior que podem ser traumatizadas pelo aparelho. É sempre desejável realizar previamente a anuscopia (e nunca posteriormente, pois a insuflação do ar necessária à retoscopia pode levar a acidentes desagradáveis) uma vez que a retossigmoidoscopia não se presta à avaliação do canal anal.


O retossigmoidoscópio com o mandril bem lubrificado (lidocaína gel) é inserido rapidamente e suavemente para causar o mínimo de desconforto no canal anal direcionando-o ao umbigo por cerca de 4 a 5 cm. Em seguida, o aparelho é inclinado na direção do sacro e avançado por mais 4 a 5 cm no reto quando o mandril é retirado e a fonte de luz acoplada ao retossigmoidoscópio. Sob visão é injetado ar o suficiente para distender o reto e segue-se o exame do reto em movimento circulares passando pelas 3 válvulas de Houston (a superior e inferior são convexas para a direita, e a do meio é convexa para o lado esquerdo) até a junção retossigmoidiana. A junção retossigmoidiana é ultrapassada com uma leve injeção de ar junto com delicado movimento para esquerda (15 ou 16 cm) e para examinar o sigmóide distal (18 ou 19 cm) geralmente exige uma manobra mais vigorosa para a direita e ventralmente. Na retirada do retossigmoidoscópio, também em movimentos circulares, examinam-se novamente estes segmentos.


Quando um obstáculo é encontrado, o instrumento é recuado 3 a 4 cm e redirecionado para a luz exposta pela leve injeção de ar.
A inserção bem sucedida do retossigmoidoscópio requer familiaridade com a anatomia do reto e do cólon sigmóide. Saber onde a luz provavelmente está localizada sem realmente a visualizar facilita o exame.
A profundidade média de inserção é de 20 cm. As duas estruturas que podem impedir alcançar os 25 cm são doenças que aumentam o útero e a próstata. Mesmo quando o útero é cirurgicamente retirado, a fixação do intestino na pelve pode impedir a passagem.
O comprimento de inserção é medido a partir da margem anal sem estirar o reto. A aparência da mucosa e profundidade de inserção deve ser descrita com precisão. Se uma lesão é encontrada o tamanho, a aparência, a localização e distância da margem anal devem ser descritos no prontuário assim como o número de biópsia quando realizada. O exame avalia doenças do reto e do cólon sigmóide (inflamações, tumores e pólipos).
Os indivíduos mais jovens são muitas vezes mais difíceis de examinar do que os pacientes mais velhos, porque eles geralmente têm melhor tônus do esfíncter e a inserção do instrumento pode causar mais desconforto. Nas mulheres jovens os órgãos pélvicos femininos são menos elásticos e um pouco mais difíceis de deslocar para a passagem do retossigmoidoscópio.
As três Válvulas Houston (a superior e inferior são convexas para a direita, e a do meio é convexa para o lado esquerdo) são locais indicados para a realização de biópsia retal quando a mucosa é normal, devido à facilidade técnica e menor risco de perfuração.

Complicações

As complicações devido ao exame são raríssimas, porém são descritos dor, sangramento, inflamação do reto, perfuração intestinal decorrentes do exame e bacteremia.

Cuidados após o exame

Quando são realizadas biópsias é possível observar estrias sanguinolentas nas fezes.