Parasitose

Parasitoses intestinais

Introdução
Diagnóstico das parasitoses intestinais
Tratamento e profilaxia das parasitoses intestinais
Tratamento da ascaridíase
Tratamento da ancilostomíase e triquiuríase
Tratamento da estrongiloidíase
Tratamento da enterobíase ou oxiuríase
Tratamento da teníase e himenolepíase
Tratamento da esquistossomose mansônica
Tratamento da giardíase
Tratamento da amebíase
Tratamento da balantidíase
Tratamento da criptosporidiose
Tratamento da microsporidiose
Tratamento da isosporíase
Tratamento da blastocistose
Bibliografia

Introdução

Parasitas estão presentes no trato digestivo do homem desde a Antiguidade. No Brasil, comprovou-se ovos de parasitas intestinais em múmias e coprolitos que datam mais de 7000 anos. Além de parasitas, é crescente a identificação de organismos no sistema digestório humano, como bactérias (H. pylori, cepas de E. coli), vírus, fungos e algas. Este antigo e persistente problema repercute nos índices de produtividade, morbidade e mortalidade. Uma das mais importantes consequências da infecção intestinal é a diarréia, que corresponde à segunda causa de mortalidade no mundo, perdendo somente para as doenças cardiovasculares. Nos países em desenvolvimento, especialmente de áreas tropicais, e nas instituições de apoio (creches, asilos), presídios e hospitais psiquiátricos o problema tem maiores proporções. Programas para diagnóstico, tratamento e profilaxia são imperiosos para reduzir a repercussão das infecções do trato gastrointestinal.

Parasitoses intestinais (PI) ou enteroparasitoses decorrem da presença de helmintos (macroparasitas) e/ou protozoários (microparasitas) no trato digestivo, comprometem cerca de 25% da população mundial (mais de dois bilhões de pessoas) e se distribuem de acordo com a região do globo e características das comunidades. Ocorrem em países desenvolvidos, mas são mais frequentes nos em desenvolvimento.

Helmintos podem invadir o sistema digestório, circulatório, linfático, respiratório ou órgãos, como músculo, olho, cérebro, fígado ou vias biliopancreáticas. Verminoses, helmintoses ou helmintíases intestinais decorrem da presença de helmintos que podem ser nematóides (vermes de corpo cilíndrico) e/ou de platelmintos (vermes de corpo achatado dorso-ventralmente), cestóides ou trematóides. Nos ocuparemos das helmintíases intestinais da espécie humana, frequentes em nosso meio, deixando de lado helmintíases de caráter regional, menos prevalentes, ou aquelas em que o trato digestivo constitui somente a porta de entrada no organismo (como as causadas pela Fasciola, Diphillobothrium, Trichinella spiralis, Brugia malayi, Wuchereria bancrofti, Onchocerca volvulus, Toxocara canis, Ancylostoma braziliense). As helmintíases mais prevalentes, que também frequentemente se associam, são a ascaridíase, ancilostomíase e triquiuríase.

Protozooses intestinais decorrem da presença de protozoários no trato digestivo que, ao contrário dos helmintos, proliferam no interior do organismo. As protozooses com caráter patogênico mais verificadas no mundo e em nosso país são giardíase e amebíase. Balantidíase, criptosporidiose, microsporidiose e isosporíase, até a eclosão da Aids, eram raramente observadas e atribuídas a infecções acidentais. A importância da identificação dos protozoários não patogênicos (amebas Entamoeba hartmanni, Entamoeba coli, Endolimax nana e Iodamoeba butshilii e flagelados Chilomastix mesnili, Trichomonas hominis, Retortamonas intestinalis e Enteromonas hominis), que são mais prevalentes que os patogênicos, reside na constatação de contaminação, na não indicação de quimioterapia, mas de profilaxia.

Apesar dos conhecimentos quanto ao tratamento e prevenção, a espécie humana é responsável pela manutenção da cadeia de transmissão das parasitoses intestinais, perpetuando a contaminação fecal do solo e da água, que constitui o principal mecanismo de disseminação dos parasitas. A invasão do hospedeiro ocorre através da pele (pelo contato direto com o solo contaminado) e/ou através da boca (pela ingestão de água ou alimentos contaminados, em decorrência da perversão do apetite – geofagia, coprofagia, transmissão sexual ou por fômites). Algumas parasitoses intestinais (como amebíase, giardíase, coccidioses, oxiuríase e estrongiloidíase) são doenças passíveis de transmissão por via sexual. Nos países em desenvolvimento, onde as parasitoses intestinais atingem índices de prevalência de 90%, a endemicidade está relacionada com a contaminação do meio ambiente. Ocorrem principalmente sob condições sanitárias inadequadas, possibilitando transmissão via fecal-oral, o que proporciona risco maior para a população infantil. Nos países desenvolvidos, por outro lado, o nível socioeconômico e a educação sanitária não asseguram proteção. Várias constatações evidenciam a atualidade do problema decorrente das parasitoses e das infecções gastrointestinais: diarréia dos viajantes incapacitação daqueles que serviram ou retornam de áreas endêmicas elevados índices entre homossexuais, imigrantes ou expatriados neurocisticercose em abstinentes de carne de porco prevalência em instituições para crianças, idosos e deficientes e difícil erradicação em imunocomprometidos.

No Brasil, apesar das diferenças regionais, a contaminação do meio ambiente é intensa, elevada a prevalência das parasitoses intestinais e homogênea a distribuição e a associação dos vários parasitas. No Brasil, 66% das crianças em idade escolar são parasitadas, sendo comum o multiparasitismo e associação de desnutrição e anemia. Em São Paulo, até nas cédulas e moedas em circulação foram identificados ovos e cistos de parasitas. No Ambulatório de Parasitoses Intestinais da Unifesp-EPM se constatou 628 parasitados, avaliando apenas uma amostra de fezes de mil adultos assalariados.

Diagnóstico das parasitoses intestinais

As parasitoses intestinais habitualmente não determinam manifestações clínicas quando ocorrem, o quadro não é característico. As manifestações clínicas costumam ser discretas, excepcionalmente graves, podendo ser até letais. A diversidade de manifestações clínicas e de lesões está relacionada às características biológicas dos parasitas (estádio da evolução, densidade populacional, localização no trato gastrointestinal, capacidade de invasão, de migração e de consumo de nutrientes e sangue) e às condições do hospedeiro (estado nutricional, competência imunológica e alterações patológicas associadas). Inexiste quadro clínico típico de PI, mas determinados sintomas alertam o clínico, não somente para o diagnóstico, mas até mesmo para a espécie parasitária.

As manifestações gastrointestinais mais comuns são as relacionadas à alteração do hábito intestinal (diarréia ou obstipação intermitentes), acompanhada de alteração do apetite, náusea, vômito, flatulência e dor abdominal incaracterística. Ocasionalmente pode ocorrer eliminação espontânea de vermes, pela boca, ânus, nariz ou juntamente com as fezes.

Do ponto de vista geral, podemos deparar-nos com anemia, síndrome de má absorção e suas consequências, especialmente nos casos de estrongiloidíase, giardíase e ancilostomíase. A passagem das larvas de áscaris, ancilóstomos, estrongilóides ou esquistossomos pelos pulmões pode determinar a síndrome de Löeffler, que corresponde ao quadro transitório de tosse seca, broncoespasmo e febre, associado à eosinofilia e à alteração radiográfica (infiltrado alveolar). As parasitoses intestinais são associadas, por mecanismos obscuros e até discutíveis, a ranger de dentes, insônia, irritabilidade, distúrbios de conduta, manchas em pele, fenômenos urticariformes, que frequentemente desaparecem após o tratamento.

Tendo em vista que predomina o multiparasitismo e que não há quadro clínico peculiar, a exibição do espécime espontaneamente eliminado ou a presença de determinado sintoma é insuficiente para o diagnóstico, sendo essencial a pesquisa de parasitas. Os parasitas podem localizar-se em tecidos, sangue e trato digestivo, sendo geralmente detectados nas fezes.

Amostras de fezes precisam ser adequadamente coletadas, conservadas e examinadas. Os pacientes não devem ter recebido bário ou enema. As amostras devem ser cobertas para evitar desidratação ou contaminação, não devem ser refrigeradas e, caso não possam ser entregues para a análise após uma hora da coleta (idealmente deveriam ser obtidas no próprio local de análise), devem ser preservadas em conservantes, como MIF (mertiolato, iodo e formol) ou PVA (álcool de polivinila).

Com a finalidade diagnóstica ou de controle terapêutico, preconiza-se a realização de protoparasitológicos, preferencialmente em três amostras de fezes, eliminadas em dias não consecutivos, sendo o último precedido pelo uso de purgativo salino. O emprego de purgativo salino (como o sulfato de sódio, na dose de 30 g para adultos e de 15 g para crianças), antecedendo à coleta das fezes, aumenta a sensibilidade do exame para cistos de protozoários.

Os vários métodos para a verificação de parasitas nas fezes podem ser agrupados em direto ou de enriquecimento. O método direto se presta à identificação de formas vegetativas de protozoários (especialmente em fezes diarréicas) e os métodos de concentração ou enriquecimento compreendem o de Lutz ou de Hoffman, Pons e Janer (eficiente na pesquisa de cistos de protozoários e de ovos pesados de helmintos, como os de áscaris, esquistossoma e cestóides) método quantitativo de Kato, modificado por Katz (fornece o número de ovos/g de fezes preconizado para a pesquisa de ovos pesados de helmintos e de triquiurus) método de Willis (para a pesquisa de ovos leves de ancilostomídeos, oxiurus e triquiurus) método da centrífugo-flutuação em sulfato de zinco (de Faust) ou da centrífugo-sedimentação em formol-éter (eficientes na detecção de cistos de protozoários em fezes formadas e de ovos leves de helmintos) método de Baerman-Morais ou de Rugai (para pesquisa de estrongilóides).

Determinada técnica de parasitológico de fezes pode ser excelente para detectar um parasita e inadequada para outro. Para exemplificar: o método de Baerman-Morais é indispensável para pesquisa de estrongilóides, em virtude do hidrotermotropismo das larvas, entretanto não se presta para a pesquisa de ovos de helmintos ou de cistos de protozoários. Quanto maior o número de técnicas empregadas, maior a positividade na rotina laboratorial, pelo menos três métodos devem ser realizados para cada amostra de fezes, preferencialmente os de Kato-Katz, Hoffman e de Baerman-Morais entretanto, na disponibilidade da realização de apenas um, devemos eleger o método de Hoffman (Quadro 2).

O parasitológico de fezes não detecta com eficiência todas as parasitoses intestinais, sendo necessária, em certas situações, a realização de outros métodos diagnósticos, como: tamização das fezes (para diagnosticar teníase) anal swab(1) (oxiuríase) biópsia de válvula retal (esquistossomose) biópsia duodenal e análise direta e após coloração pela hematoxilina férrica das fezes, raspado retal ou do mucoduodenal (giardíase ou amebíase) intradermorreação e determinação de anticorpos séricos (esquistossomose, amebíase e giardíase) pesquisa nas fezes de oócistos de criptosporideo e de isospora, através da coloração pela safranina e azul de metileno.

O maior problema para se identificar com exatidão parasitas intestinais é a falta de microscopistas experientes ou o elevado custo das sondas nucleotídicas específicas, como alternativa à microscopia, para a identificação precípua de protozoários patogênicos ou não. Outros exames complementares (radiográficos, endoscópicos, histológicos e para a avaliação de má absorção) não visam primariamente o diagnóstico do parasitismo, mas podem ser importantes na avaliação das complicações das parasitoses intestinais.

Tratamento e profilaxia das parasitoses intestinais

Muitas eram as dificuldades para tratar parasitoses intestinais. A aplicação das receitas era trabalhosa, bastando, para exemplificar, citar o tratamento da teníase com extrato etéreo de feto macho (esporos da samambaia) e/ou com semente de abóbora com coco e para a estrongiloidíase, a administração de violeta de genciana por sonda nasogástrica. Os resultados eram pouco satisfatórios, a ponto de se aceitar quadros crônicos de parasitoses intestinais, como a temida “colite amebiana”.

Atualmente, para o tratamento das parasitoses intestinais dispomos de medicamentos de amplo espectro, alta eficiência e efeitos colaterais desprezíveis, entretanto algumas particularidades da terapêutica das parasitoses deverão ser respeitadas para que melhores resultados sejam atingidos:

1. Diagnóstico correto do parasitismo
2. Afastar que condições mórbidas concomitantes, eventualmente mais graves, tenham o diagnóstico e o tratamento perigosamente protelados, mediante a correlação da queixa clínica com a parasitoses intestinais já diagnosticada e confirmada
3. Escolha da droga e posologia adequadas e avaliação da necessidade de repetição de tratamento após duas a três semanas (para as helmintíases com estágio larvar)
4. Priorizar o tratamento da ascaridíase em relação a outras parasitoses intestinais, nas crianças multiparasitadas
5. Enfatizar a necessidade de adoção de medidas profiláticas
6. Realizar coproscopias de controle para a comprovação de negativação parasitológica (o controle de cura é laboratorial)
7. Tratar as complicações das parasitoses intestinais.

Apesar do avanço farmacológico, ainda não se dispõe da droga ideal: de baixo custo, polivalente, destituída de efeitos secundários, adequada para uso em grávidas, nutrizes e crianças, de alta eficiência para todos os agentes, empregada em dose única e por via oral.

Dificuldades são enfrentadas para o tratamento de grávidas parasitadas, especialmente no primeiro trimestre. Parasitose intestinal na gravidez é frequente, mas geralmente não compromete a gravidez ou concepto, seu impacto é maior nas pacientes malnutridas. O tratamento, se indicado, deve ser postergado para período posterior à organogênese. O aleitamento deve ser interrompido quando da utilização do praziquantel, tiabendazol, albendazol ou mebendazol é permitido com o pirantel.
Dificuldades também ocorrem quando de falha terapêutica por alterações imunológicas, especialmente nesta era da Aids. Para imunodeprimidos se recomendou empiricamente a administração de colostro humano ou bovino, na dose de 20 ml/dia, antecedendo e associado à medicação específica, que deverá ser mantida por período maior que o usual.

Medidas profiláticas são indispensáveis e simples, mas difíceis de serem incorporadas à rotina da população. A inobservância das medidas profiláticas é que determina a manutenção de contaminação do meio e a recidiva das infestações. A profilaxia das parasitoses intestinais envolve a abordagem do problema médico e do problema socioeconômico. Cabe aos médicos não só proceder à quimioterapia dos portadores, como orientá-los.

A adoção de hábitos higiênicos é fundamental para evitar a reinfecção e disseminação das PI, uma vez que o homem é a principal fonte de contaminação. O ciclo de transmissão é rompido quando é rompido o ciclo oro-fecal (contaminação por fezes humanas) e quando o homem se previne ao entrar em contato com animais e seu hábitat, em que o ciclo biológico dos parasitas se completa. Os exemplos mais expressivos de profilaxia de parasitoses intestinais são o da eliminação da esquistossomose no Japão, após a II Guerra Mundial, com a abolição do uso de fezes humanas como adubo e os resultados da atuação da Comissão Sanitária Rockefeller, em 1909 (anos mais tarde, Fundação Rockefeller) nos índices das PI e suas consequências no sul dos EUA. Citamos a seguir os principais tópicos da profilaxia das parasitoses intestinais:

1. Destino das fezes humanas: deposição em local apropriado e abolição do uso como adubo
2. Lavagem das mãos após as evacuações e antes de qualquer contato com alimentos
3. Uso de água adequada ao consumo: fervida ou clorada e filtrada
4. Lavagem cuidadosa de frutas e verduras
5. Cocção adequada de carnes
6. Desencorajamento da ingesta de líquidos ou alimentos de fonte duvidosa, bem como a conservação adequada dos alimentos, protegendo-os da poeira e insetos
7. Uso de calçados
8. Manutenção do domicílio livre de insetos (especialmente pulgas, moscas e baratas)
9. Pesquisa de portadores entre familiares, serviçais ou manipuladores de alimentos, principalmente de instituições (asilos, creches, presídios etc.)
10. Abstenção de banhos em coleções naturais de água, em regiões endêmicas para a esquistossomose
11. Desaconselhar o hábito de levar objetos ou dedos à boca ou práticas oro-anais
12. Desaconselhar o abandono precoce do aleitamento natural e consequente utilização de água inadequada para consumo.

A falência das medidas profiláticas se reflete nos índices endêmicos das parasitoses intestinais e individualmente no elevado grau de recidiva. Apesar do desenvolvimento da quimioterapia, elevam-se os índices de prevalência das PI, sendo imperiosa a prevenção e a visão da quimioterapia como medida complementar de controle, devendo o médico atuar como educador e necessariamente abordar os aspectos profiláticos.

A elevada frequência das parasitoses intestinais e as dificuldades práticas de realização de três protoparasitológicos de fezes em dias não subsequentes para redução de falso-negativos têm reforçada a conduta não acadêmica de tratamento anual ou semestral de crianças, reservando-se a feitura de exames para a pesquisa de PI específicas como giardíase ou estrongiloidíase. O emprego profilático de medicamentos para as parasitoses intestinais não tem sido recomendado, a não ser no caso de imunossupressão (como para transplantes) e especificamente quanto à estrongiloidíase.

Tratamento da ascaridíase

ascarisAgente etiológico: Ascaris lumbricoides,
Forma clínica: o parasita tem um corpo cilíndrico e alongado. De aspecto liso e brilhante, sua cor varia entre o branco e o amarelo. Sua boca, em uma das extremidades, possui três grandes lábios. Sua reprodução é sexuada. Os machos são menores que as fêmeas, e apresentam a cauda enrolada. O comprimento do parasita varia entre 15 e 40 centímetros, sendo que o número de parasitas em um mesmo hospedeiro pode chegar a 600.

A contaminação por Ascaris lumbricóides ocorre pela ingestão de água ou alimentos contaminados por seus ovos. O ciclo tem inicio a partir de um hospedeiro. A fêmea é capaz de produzir 200 mil ovos por dia, sendo que parte desses ovos é eliminada através das fezes. A contaminação ocorre quando as condições de higiene e de saneamento básico favorecem o contato desses ovos com a terra, a água, e com alimentos que são ingeridos. As crianças são a população mais atingida, já que não entendem e respeitam as regras de higiene.

Após a ingestão, os ovos liberam larvas que caem na circulação sanguínea. Essas larvas passam pelo fígado, coração e pulmões. Ao atingirem os pulmões, instalam-se nos alvéolos pulmonares, onde absorvem mais oxigênio e nutrientes para crescerem. Nessa fase, podem aparecer alguns sintomas como tosse seca, irritação brônquica, dificuldade respiratória e febre. As larvas permanecem nos alvéolos pulmonares até crescerem, para então subirem em direção a faringe, de onde são engolidas novamente. Passam pelo tubo digestivo, e completam seu desenvolvimento ao chegarem ao intestino delgado, atingindo a fase adulta, se reproduzindo e dando início ao ciclo novamente.

Outros sintomas são: dor abdominal, flatulência, cólica, diarréia, náuseas, vômito e presença de vermes nas fezes. Algumas reações como alergias, pneumonia e choque anafilático podem ocorrer, embora sejam mais raras. Nas crianças, grandes infestações podem causar oclusão intestinal, o que pode, inclusive, levar a morte.

A piperazina foi a primeira droga altamente eficiente e pouco tóxica. Seu uso está reservado para os quadros de suboclusão intestinal e para quando houver necessidade de tratamento nos períodos perioperatórios. A piperazina atua na junção mioneural dos áscaris, produzindo uma paralisia flácida e gradual (ação curarizante), possibilitando que o peristaltismo elimine os vermes vivos, reduzindo o risco de absorção de produtos de sua desintegração.

Nos casos de obstrução intestinal por bolo de áscaris, as medidas conservadoras envolvem jejum oral, administração de sais de piperazina por sonda nasogástrica (10 mg/kg de hexaidrato de piperazina, associados a 30 ml de óleo mineral de 3/3 horas, por 24 horas) e hidratação por via parenteral. Recorre-se à cirurgia quando o trânsito intestinal não se normaliza, no máximo em 48 horas, ou mantém-se piperazina, na mesma dose e por cinco dias.

O pamoato de pirantel induz paralisia espástica dos vermes (liga-se a receptores nicotínicos e inibe a colinesterase). Tem sua posologia padronizada em termos de base, que corresponde a um terço do sal, sendo usado em dose única de 10 mg/kg, independentemente do horário das refeições (é mal-absorvido pelo trato gastrointestinal). Apresenta sucesso terapêutico semelhante ao levamisol, custo mais elevado e é efetivo também no combate à enterobíase e ancilostomíase.
O tratamento atual é baseado no Mebendazol, Albendazol e Nitazoxanida.

Tratamento da ancilostomíase e tricuríase

ancilostomiaseTricuriase

Agente etiológico: Ancylostoma duodenale e Necator Americanus,
Forma clínica: os vermes adultos alcançam aproximadamente um centímetro de comprimento sendo que as fêmeas são um pouco maiores que os machos. Possuem o corpo cilíndrico, rígido, somente afilado nas extremidades. Os machos apresentam na extremidade posterior uma expansão chamada de bolsa copuladora. Na porção anterior encontramos a cápsula bucal, que permite a distinção entre os dois parasitas.

As formas de transmissão desta verminose acontecem por penetração ativa das larvas filarióides infestantes na pele ou mucosas, principalmente nas regiões dos pés, pernas, nádegas e mãos, como também pela ingestão das larvas junto com os alimentos.

Infectado pelo parasita, o indivíduo apresentará os seguintes sintomas:

Lesão Cutânea: Hipersensibilidade com irritação local, prurido, edema. Ocorre na parte superior dos pés, nas pernas, nádegas e regiões interdigitais.
Lesão pulmonar: Presença de focos hemorrágicos (onde as larvas perfuram as paredes alveolares), edema e presença de líquido na luz alveolar. O indivíduo apresenta um quadro semelhante à pneumonia, com tosse, febre, etc.
Lesão da mucosa intestinal e espoliação sanguínea: Vermes se alimentam de sangue e dilaceram a mucosa intestinal ocasionando pequenas hemorragias. Estabelecem uma anemia de evolução lenta acompanhada de perturbações e cólicas abdominais.
Em crianças ainda podem ocorrer diminuição ou perversão do apetite (comer terra), retardamento físico e mental, e ainda consequências como dificuldade de aprendizagem escolar e a debilidade orgânica generalizada.
Como forma de prevenir a doença é necessário haver:

Educação sanitária em massa.
Serviços de engenharia sanitária (construções de moradias higiênicas, dotadas de água tratada e instalações sanitárias adequadas).
Abolir por completo adubação com fezes humanas.
Proteção dos pés pelo uso de calçados.
Alimentação adequada, rica em proteínas, sais minerais, vitaminas e hidrato de carbono.
Tratamento dos doentes (deve ser repetido com intervalo de seis meses, durante dois anos aproximadamente, a fim de impedir que o homem continue disseminando os ovos. Utiliza-se anti-helmínticos e antianêmicos..

Agente etiológico: Tricocefalíase ou Tricuríase é uma doença causada pelo verme Trichocephalus trichiurus ou Trichuris trichiura. Esta enfermidade possui maior prevalência no litoral e na Amazônia, uma vez que o clima mais quente e úmido favorece o embrionamento dos ovos do verme e maior sobrevivência dos mesmos. O acentuado aglomerado humano, bem como as precárias condições sociais e de higiene facilitam muito a propagação do parasita.
Forma clínica: a principal forma de transmissão desta verminose é através da ingestão de ovos embrionados em alimentos ou bebidas contaminados. Ao ingerir ovos do verme, o indivíduo apresentará sintomas discretos, sendo que a maioria dos casos são assintomáticos no início. Quando o quadro da doença evolui, devido ao aumento do número de helmintos, os sintomas são mais marcantes. Os vermes secretam uma substância lítica que causam lesões nas células podendo levar a formação de úlceras e abscessos. Além disto, pode ocorrer infecção bacteriana secundária, anemia (devido à grande queda de hemoglobina), diarreias, náuseas, vômitos e prolapso retal.

Para evitar a contaminação por este tipo de verme é extremamente importante a higiene pessoal, como lavar as mãos ao usar os sanitários, antes de consumir ou preparar qualquer alimento. Evitar beber água que não seja filtrada também é uma forma de prevenir a doença.
O tratamento atual é baseado no Mebendazol, Albendazol e Nitazoxanida.

Tratamento da estrongiloidíase

Estrongiloidíase-Ciclo

Agente etiológico: Strongyloides stercoralis
Forma clínica: a transmissão da doença acontece pela penetração das larvas filarióides na pele (geralmente nas áreas da pele mais fina dos pés), ingestão de alimentos contaminados por larvas, autoinfestação interna (mudança das larvas rabditóides para filarióides na região perianal infestando o hospedeiro).
Contaminado, o indivíduo apresenta os seguintes sintomas:
Lesões cutâneas: Geralmente discretas, podendo haver pequenas alergias. A pele pode apresentar manchas vermelhas, coceira e inchaço. Estes sintomas tendem a desaparecer espontaneamente dentro de 1 a 2 semanas.
Lesões pulmonares: Quando as larvas perfuram os alvéolos ocorrem pequenas hemorragias, alterações inflamatórias, que podem complicar com o aparecimento de fenômenos alérgicos e invasão bacteriana secundária.
No intestino, as fêmeas partenogenéticas ao nível da mucosa, possuem uma ação mecânica e irritativa capaz de provocar enterite. Assim a mucosa parasitada contém uma inflamação catarral e com a presença de pontos ulcerados. Essas úlceras podem complicar-se por invasão bacteriana, dando extensas áreas necróticas.
Além de tudo isto, o paciente apresenta anemia, diarréia, emagrecimento, desidratação e irritabilidade, que são agravados em caso de subnutrição.
É muito importante para evitar a doença, usar sapatos em áreas endêmicas para proteger os pés, abolir por completo adubação com fezes humanas e tratar os doentes de modo a evitar a proliferação da verminose.
O tratamento atual é baseado no Mebendazol, Albendazol e Nitazoxanida.

Tratamento da enterobíase ou oxiuríase

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Agente etiológico: Enterobius vermiculares.
Forma clínica: possui distribuição geográfica mundial, mas tem incidência maior nas regiões de clima temperado. Essa helmintose tem alta prevalência nas crianças em idade escolar e é de transmissão eminentemente doméstica ou de ambientes coletivos fechados.

Os fatores responsáveis por essa situação é que as fêmeas do verme eliminam grande quantidade de ovos na região perianal. Os ovos em poucas horas se tornam infestantes, podendo atingir os hospedeiros por vários mecanismos (direto, indireto, retro infestação, etc.). Os ovos são muito resistentes e conseguem resistir até três semanas em ambientes domésticos. Somente a espécie humana alberga o Enterobius vermiculares.

A transmissão da doença é variada. Pode ser de forma direta, onde a criança ao coçar a região anal, coloca a mão infectada pelo verme na boca. Também pode acontecer indiretamente pela contaminação da água ou alimento, ao cumprimentar uma pessoa que esteja com a mão suja contendo ovos do verme. É muito comum, em ambientes que possuam pessoas que tenha a doença encontrar ovos do verme em roupas de cama, nas toalhas, no chão e nos objetos da casa, sendo frequentes as pequenas epidemias entre aqueles que habitam a mesma residência.

A enterobiose pode causar diversos sintomas no indivíduo, tais como diarréias contendo muco, cólicas abdominais, náuseas, vômitos, prurido anal intenso (sintoma mais marcante), inflamação da região anal. Devido às proximidades dos órgãos genitais, o prurido pode levar o indivíduo à masturbação e erotismo, principalmente em meninas. Existem ainda a possibilidade de migrar para a vagina, alcançando o útero e determinando inflamações. Alteração do humor e perturbação do sono, também são sintomas comuns.

Portanto, é extremamente importante o hábito de lavar as mãos após usar o sanitário e principalmente antes de comer ou preparar alimentos. Manter o corpo asseado, mediante o banho frequente e o uso de roupas limpas, tanto as do corpo quanto as da cama, são formas de prevenir a doença. Para o tratamento da oxiuríase, existem várias drogas disponíveis no mercado internacional, com índices de cura clínica e parasitológica bastante satisfatórios. Em caso de suspeita desta enfermidade é aconselhável procurar um médico, para que indique as melhores formas de tratar a doença.

1. Uso de roupas e/ou aplicação de pomada anestésica na região perianal ao dormir, especialmente para crianças (principal contigente de parasitados), para evitar o ato de coçar e a auto-infestação
2. Evitar a disseminação de ovos pelo ar, não sacudindo roupas de cama e pijamas ou levantando poeira ao varrer o assoalho ou carpete
3. Manter as unhas adequadamente aparadas
4. Tratar concomitantemente todas os que coabitem, repetindo o tratamento após 15 a 20 dias.
O tratamento atual é baseado no Mebendazol, Albendazol e Nitazoxanida.

Tratamento da teníase e himenolepíase

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Agente etiológico: Taenia solium e da Taenia saginata.
Forma clínica: estes são parasitas hermafroditas da classe dos cestódeos, da família Taenidae, também conhecido como “solitária”. São seres extremamente competitivos pelo seu habitat, não precisando nem de parceiro para a cópula, já que são seres monóicos com estruturas fisiológicas para autofecundação. O complexo teníase-cisticercose constitui-se de duas entidades distintas, porém causadas pelo mesmo parasita, sendo um sério problema para a saúde pública.

A teníase e a cisticercose são causadas pelo mesmo parasita, só que em fases distintas de vida. A teníase é causada pela Taenia solium ou Taenia saginata quando presente no intestino delgado dos humanos (hospedeiros definitivos), já a cisticercose, causada devido à presença da larva, também conhecida como “canjiquinha”, que pode estar presente em hospdeiros intermediáriaos, sendo que o cisticerco da T. solium é encontrada na musculatura dos suínos e da T. saginata é encontrada na dos bovinos. A teníase causada pela T. solium não é considerada fatal, enquanto que a cisticercose causada por ela pode levar à morte.

A infecção pela larva da T. saginata ou T. solium se dá pela ingestão da carne bovina e suína, respectivamente, contaminada preparada de forma inadequada.

Muitas vezes esta doença é assintomática, mas quando apresenta sinais clínicos, na maioria das vezes, estão relacionados a problemas gastrointestinais como dor abdominal, anorexia, diarréia, enjôo, podendo também apresentar irritação, fadiga e fraqueza.

O diagnóstico é realizado através de exames cropoparasitológicos, sendo observados no microscópio óptico os ovos ou proglótides (anéis que compõe o corpo da Taenia sp) do parasita. Quando este método não é suficiente, podem ser realizados os testes de hemoaglutinação e imunofluorescência indireta.

Uma das formas de controle desta doença é através do trabalho educativo da população, promovendo a melhoria da higiene e também, em relação à saúde animal dos bovinos e suínos, controlando sua alimentação e realizando adequadamente a inspeção das carcaças dos animais abatidos para consumo humano. Deve ser realizada também a fiscalização de produtos de origem vegetal, pois a água usada na irrigação destes pode estar contaminada. É aconselhável que tanto a carne de porco, quanto a bovina, seja consumida bem passada, lembrando também que embutidos não cozidos são alimentos de risco.

Agente etiológico: Hymenolepis nana.
Forma clínica: parasita cosmopolita, mais frequente em regiões de clima quente. A densidade populacional e o hábito de viver em ambientes fechados são dois fatores muito importantes na determinação da incidência dessa verminose. A resistência de até 10 dias dos ovos do parasita em meio externo, os maus hábitos higiênicos, a ingestão acidental de alimentos e bebidas contaminados são formas bastante comuns de se contrair a himenolepíase.

No organismo, o Hymenolepis nana causa diversos sintomas no indivíduo, que varia em relação ao número de parasitas e a idade em que este indivíduo se encontra. São mais evidentes em crianças e se caracterizam principalmente por diarréias, dor abdominal, agitação, insônia, irritabilidade, raramente ocorrendo sintomas nervosos, dos quais os mais penosos são ataques epilépticos em formas variadas, incluindo cianos, perda de consciência e convulsões. Além disto, o verme pode causar extensas lesões na mucosa intestinal com pequenas ulcerações e perda de peso. O habitat principal do verme adulto é no intestino delgado, principalmente no íleo e jejuno do homem.
O tratamento atual é baseado no Mebendazol, Albendazol e Nitazoxanida.

Tratamento da esquistossomose mansônica

Esquistossomose-2

 

Agente etiológico: Schistosoma mansoni.
Forma clínica: tem como seu hospedeiro definitivo o homem, necessitando de um hospedeiro intermediário, o caramujo, para completar seu ciclo evolutivo.

Na água, os ovos eliminados pelo homem na urina e nas fezes, evoluem para larvas. Estas, por sua vez, se alojam e se desenvolvem nos caramujos, que posteriormente liberam a larva adulta que irá penetrar na pele do homem. Quando no sistema venoso dos seres humanos, os parasitas se desenvolvem até atingirem de 1 a 2 centímetros de comprimento, se reproduzem e eliminam seus ovos. Alguns desses ovos podem alcançar a bexiga e o intestino, sendo eliminados pelas fezes e urina, fechando o ciclo.

A doença apresenta a fase aguda e a crônica. Nesta primeira fase, podem aparecer coceiras e dermatites, febre, inapetência, tosse, diarréia, enjôos, vômitos e emagrecimento. A segunda fase (crônica), geralmente apresenta-se assintomática, podem ocorrer episódios de diarréia, alternando-se com períodos de constipação, podendo haver a evolução para um quadro mais grave, com hepatomegalia (fígado aumentado), cirrose, esplenomegalia (aumento do baço), hemorragias derivadas do rompimento de veias esofágicas, e ascite (acúmulo de líquido na região abdominal). Esta ascite é popularmente chamada de barriga d’água.

Para o diagnóstico da esquistossomose é importante se conhecer o histórico do paciente, saber se ele esteve presente em áreas consideradas endêmicas da doença, além dos sintomas e do quadro clínico apresentado por este paciente. Para se ter um diagnóstico seguro, pode ser realizado exames de fezes e urina, onde se evidenciam ovos no material em questão, além de biópsia de órgãos, como da mucosa do final do intestino (reto). Hoje em dia, existem exames indiretos que detectam a presença de anticorpos no sangue contra o Schistosoma.

O tratamento: existem duas substâncias capazes de eliminar o S. mansoni.
A oxaminiquina – 2 comprimidos (<33kg) ou  3  comprimidos (34-50kg) ou 4 comprimidos (51-66kg) ou 5 comprimidos (67-83kg)  6 comprimidos (84-100kg) em dose única, após a ingestão de alimentos. Tontura é o efeito colateral mais importante e motiva recomendação para repouso por quatro a seis horas.
O praziquantel, droga de eleição, mas pode ser empregado na condição de resistência à oxaminiquina, é administrado nas doses de 40 a 60 mg/kg para adultos (Praziquantel- comprimidos de 600 mg – 5 comprimidos. ) e 50 a 70 mg/kg para crianças, Tome os comprimidos após a ingestão de alimentos em dose única ou bipartida. Os efeitos colaterais são leves ou moderados e compreendem diarreia, dor abdominal, vômitos, cefaleia e boca amarga.

Uma boa educação sanitária, saneamento básico, controle dos hospedeiros intermediários (caramujos) e informações sobre o modo de transmissão desta doença, são medidas necessárias para a profilaxia e controle desta doença.

Tratamento da giardíase

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Agente etiológico: Giardia lamblia.
Forma clínica: é adquirida pela ingestão dos cistos do protozoário. Os cistos são formas de resistência que os protozoários em geral podem assumir quando as condições ambientais não são favoráveis. Eles são encontrados em águas de córregos e riachos, que por sua vez são utilizados para irrigar pequenas hortas ou mesmo para o consumo de água. Os cistos, quando ingeridos, não são destruídos pelo ácido estomacal, na verdade, ele os estimula a transformarem-se na forma adulta (chamada de trofozoíta).

No duodeno os trofozoítas já estão totalmente desencistados. Eles ligam-se ao epitélio do duodeno e do jejuno através da ventosa. Se a carga parasitária for grande, ocorre o fenômeno chamado de “atapetamento”, pois, literalmente, os protozoários formam um tapete que recobre as vilosidades do intestino, dificultando a absorção dos nutrientes pelo corpo.

Uma pessoa infectada por Giárdia pode apresentar inúmeros sintomas, ou mesmo não apresentá-los, constituindo o que se chama de quadro assintomático. Os sintomas são inespecíficos, o que dificulta um diagnóstico clínico. Os sintomas mais comuns são diarréia, cólicas abdominais, flatulência, distensão abdominal, náuseas, eliminação de fezes gordurosas e fétidas e perda de peso. Alguns deles podem ou não estar presentes, mas a diarréia é sempre o mais comum.

Em alguns casos mais graves podem surgir sinais de desnutrição. Com a perda das vilosidades a área total de absorção fica consideravelmente reduzida, prejudicando a absorção de diversos nutrientes, principalmente de gordura. Essa deficiência de absorção leva às fezes gorduras e à perda de muitas vitaminas lipossolúveis, ou seja, que precisam estar dissolvidas em gordura para serem absorvidas.

Como mencionado, o diagnóstico clínico para giardíase é dificultado pelos sintomas muito inespecíficos. O recomendado é o diagnóstico laboratorial, feito por exame direto das fezes. Em amostras frescas, pode-se ver em microscópio os trofozoítas movendo-se ativamente.
Uma pessoa contaminada, assintomática ou não, elimina protozoários pelas fezes. Se não houver saneamento básico e condições de higiene, as fezes podem contaminar córregos e riachos e reiniciar o ciclo infeccioso. Por isso é importante tratar todos os infectados por Giárdia, mesmo que não apresentem sintomas. Também se recomenda a fervura da água em locais onde não há tratamento hídrico adequado.

O tratamento é indicado para todos os indivíduos infectados, sintomáticos ou não.

A furazolidona, apesar de menos efetiva, continua sendo utilizada na dose diária de 400 mg para adultos e 10 mg/kg para crianças, administrados em quatro doses e por sete dias.

Dentre os nitroimidazólicos, o tinidazol e o secnidazol, por serem melhor tolerados, administrados em dose única e apresentarem melhores resultados. São administrados geralmente após o jantar, na dose de 2,0 g para adultos e de 50 mg/kg de peso para menores de dez anos. O metronidazol é empregado na dose de 20 mg/kg/dia (máximo de 750 mg ao dia), divididos em três doses e por cinco dias consecutivos.
O tratamento atual é baseado no Mebendazol, Albendazol e Nitazoxanida.

Tratamento da amebíase

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Agente etiológico: Entamoeba histolytica,
Forma clínica: a Amebíase humana ocorre quando o protozoário é ingerido através de algum alimento contaminado. Ele fica no intestino grosso, de onde come (fagocita) o nosso alimento digerido, e também pode ocorrer de comer parte da parede intestinal, podendo atingir a corrente sanguínea e depois, ir para o cérebro e coração.
O Entamoeba histolytica toma a forma de um cisto quando está fora do corpo humano. No cisto, a ameba fica muito mais resistente, podendo viver durante anos dentro da água de rios, lagos, verduras, etc; Quando o homem os ingere novamente, o cisto se quebra liberando as amebas, fechando o ciclo.

Transmissão: alimentos e água infectados e contatos sexuais anal-oral;

Sintomas de Amebíase
A maioria das pessoas com amebíase não manifesta sintomas. Quando eles surgem, no entanto, costumam aparecer de sete a dez dias após a exposição ao parasita.

Sintomas leves de amebíase:
Cólicas abdominais
Evacuação de fezes pastosas com muco e sangue ocasional
Fadiga
Gases em excesso
Dor retal durante evacuação (tenesmo)
Perda de peso involuntária

Sintomas graves de amebíase:
Sensibilidade abdominal
Evacuação de fezes líquidas, às vezes com sangue
Evacuação de dez a 20 vezes por dia
Febre
Vômitos

O metronidazol, tinidazol ou secnidazol são empregados na mesma dose diária preconizada para o tratamento da giardíase, entretanto, metronidazol e tinidazol, por período de tempo que corresponde ao dobro do apontado. O metronidazol poderá ser empregado por dez dias consecutivos, na dose de 20 mg/kg, administrada três vezes ao dia.

Nitazoxanida (Annita) 500 mg, 1 comprimido duas vezes ao dia durante 3 dias. É efetivo em 71-100%.

As complicações e quadros extra-intestinais deverão ser tratados de acordo com as condições clínicas peculiares. “Abscesso hepático” (necrose coliquativa do fígado) pode requerer punção percutânea, raramente cirurgia. Formas pleuro-pericárdicas exigem drenagem e peritonite, laparotomia. Os amebomas devem ser diferenciados do carcinoma e seu tratamento é clínico. Nas formas mais graves se utiliza metronidazol por via IV, sendo excepcional a necessidade de associação com cloroquina (fosfato de cloroquina, 500 mg no primeiro dia e 250 mg do 2º ao 20º dia).

Tratamento da balantidíase

Agente etiológico: Balantidium coli.
Forma clínica: é um dos únicos ciliados que pode ser encontrado em nossa espécie, pode parasitar os humanos e é uma espécie existente no intestino grosso de suínos. O B. coli já foi encontrado em macacos, chimpanzés, humanos, suínos e raramente em cães, ratos e cobaias sendo os macacos os mais atingidos depois dos suínos. Este parasita vive usualmente na luz do intestino grosso de seu hospedeiro, parecendo não ser capaz de penetrar em mucosas intestinais intactas. Pode ser, entretanto, um invasor secundário, ou seja, desde que a mucosa intestinal esteja lesada, é capaz de penetrar e reproduzir-se ate mesmo em ulceras profundas. Os cistos são vistos em fezes, principalmente de suínos, que são os hospedeiros habituais.

Cisto de Balantidium coli no intestino de um porco.

Cisto de Balantidium coli no intestino de um porco.

A transmissão é através da ingestão dos alimentos contaminados com os cistos, até água ou mesmo as mãos contaminadas. Quando existe infecção humana, quase sempre ocorre proveniente de cistos das fezes dos suínos, que contaminaram as mãos ou os alimentos.

Este ciliado normalmente é comensal da luz do intestino de porcos e se alimenta de amido e bactérias. Sozinho não tem a capacidade de penetrar em mucosas intactas. Na espécie humana, quando há lesões na mucosa do colo ou do ceco, é possível ter invasão secundaria deste parasita. Como é capaz de produzir hialuronidase, é capaz de aumentar a lesão inicial, provocando ulceras e necroses localizadas. Essa sintomatologia e lesões são muito semelhantes ás que ocorrem na amebíase. O paciente pode apresentar diarreia, meteorismo, dor abdominal, fraqueza, anorexia e até mesmo febre.

A distribuição geográfica da balantidiose é mundial, pois é a mesma dos suínos. A maioria dos casos que acontece em humanos está entre os tratadores, criadores, comerciantes e abatedores de suínos.  Portanto, o porco é a fonte natural de infecções em nós humanos. A profilaxia tem como base três fatos principais: higiene individual dos profissionais que trabalham com os suínos, engenharia sanitária a fim de impedir que excrementos de suínos alcancem os abastecimentos de água de uso humano e os criatórios de suínos devem estar em boas condições sanitárias, impedindo que as fezes dos animais sejam disseminadas. O diagnostico clínico é difícil de ser feito devido às semelhanças da colite amebiana. O diagnostico laboratorial é feito por exame de fezes pelos métodos usuais para a evidenciação de cistos ou de trofozoítos, as vezes há necessidade de fazer cultura das fezes. Os meios de cultura são: soro de cavalo ou meio de Pavlova.

Medicação mais efetiva parece ser tetraciclina (2 g/dia) ou oxitetraciclina (1 g/dia), por dez dias. Embora o metronidazol (400 mg, três vezes ao dia e por dez dias) ou tinidazol (2 g por dia, por cinco dias) tenham sido considerados pouco ineficazes, composto imidazol relacionado, o nimorazol (25 mg/kg/dia, por cinco dias) proporciona melhores resultados. Nos doentes mais graves, deve-se empregar simultaneamente nimorazol e oxitetraciclina.

Tratamento da criptosporidiose

A criptosporidiose ou criptosporidíase é uma afecção causada por um parasita unicelular coccídeo pertencente ao gênero Cryptosporidium, que acomete tanto o homem quanto os animais. Nos humanos, este parasita está relacionado a um quadro de gastrenterite severa e prolongada em paciente imunodeficientes, bem como diarréias em indivíduos jovens.

Cryptosporidium Parvum


Este é um parasita cosmopolita, que foi descrito pela primeira vez no ano de 1907, em camundongos, nos Estados Unidos. Desde que este protozoário foi descoberto, já foram descritos mais de 20 espécies diferentes pertencentes ao gênero, porém os pesquisadores ainda divergem quanto a sua taxonomia.

Geralmente, este parasita é encontrado no trato digestório, mas também pode ser visto em outras regiões, como, por exemplo, no trato respiratório, sendo este último local mais comum em aves.

Nos humanos, duas espécies deste parasita são responsáveis pela maior parte das infecções: C. parvum e C. hominis.

O ciclo biológico do Cryptosporidium requer somente um hospedeiro, sendo que são formados dois tipos de oocistos, dos quais 80% apresentam parede grossa e são liberados junto com as fezes, enquanto que 20% deles são envoltos apenas por uma delgada membrana que se rompe com facilidade na luz intestinal, levando a um novo ciclo no mesmo hospedeiro.

Ao multiplicar-se no interior da célula intestinal, este parasita leva à má absorção e prejudica a digestão dos alimentos. Consequentemente, causa diarréia no hospedeiro, além de atrofia das vilosidades e perda de enzimas digestivas.

A fonte primordial de infecção são as fezes contaminadas com ovos, que são adquiridos por meio da ingestão de alimentos e água potável contaminados. Outra forma de infecção é a direta, quando há contato de um indivíduo infectado com outro não infectado, podendo ser de pessoa para pessoa ou de animal para pessoa (ou vice-versa).

Os oócitos dessa parasita são altamente resistentes à maior parte dos desinfetantes, bem como à cloração da água.

Criptosporidiose no Homem
Embora o C. parvum e o C. hominis sejam as espécies de ocorrência mais frequente nos humanos, outras espécies podem acometê-los, como a C. meleagridis (aves), a C. felis (gatos) e a C. canis (cães).

A criptosporidiose humana varia de acordo com a imunidade do indivíduo. Pessoas que estão com a imunidade dentro da normalidade, o quadro clínico caracteriza-se por uma gastrenterite semelhando à causada pela giardíase, sendo que o principal sintoma é a diarréia, que pode vir após um quadro de anorexia e êmese. A cura ocorre de forma espontânea.

Quando a doença afeta pessoas mal nutridas ou imunodeprimidas, como é o caso de indivíduos portadores da AIDS, a infecção causa uma diarréia intensa e prolongada, juntamente com náuseas, êmese, cólica, redução de peso e febre, podendo evoluir para o óbito.

O controle é feito por meio de educação sanitária, saneamento básico, adoção de medidas básicas de higiene como lavar as mãos antes de manusear alimentos e após utilizar o banheiro e filtrar ou ferver a água que será consumida ou utilizada no preparo de alimentos. Quando um indivíduo estiver apresentando um quadro diarréico, recomenda-se que esteve evite manipular alimentos que serão consumidos por outros indivíduos.

Apesar de vários tratamentos testados, entre os quais colostro bovino, fator de transferência, somatostatina, zidovudina e outros agentes quimioterápicos nenhum provou ser eficaz. Os mais aceitos são: espiramicina, na dose de 1 g, três a quatro vezes ao dia e por quatro semanas paromomicina 2 g/dia e diclazuril 600 mg/dia, por períodos de até seis semanas.

Tratamento da microsporidiose

Microsporidiose é uma doença causada pela infecção com organismos microscópicos chamados Microsporidia. Microsporidia são parasitas eucarióticos que têm de viver no interior das células hospedeiras, em que eles podem produzir esporos infecciosos. Esses esporos causar microsporidiose, uma doença que é principalmente observada em indivíduos infectados com o vírus da imunodeficiência humana (HIV).

Microsporidiose pode causar infecção do intestino, pulmão, rim, cérebro, seios, músculos, e olhos. Embora existam mais 1,200 espécies de microsporídeos, os patógenos mais prevalentes (agentes causadores de doenças) em seres humanos incluem Enterocytozoon bieneusi, Encephalitozoon cuniculi, e intestinalis Encephalitozoon.

O microsporidia é transmitido:
Esporos são liberados microsporídeos das fezes e urina de animais infectados. Um número de animais, insetos, inclusive, aves, e mamíferos, podem servir como reservatórios da infecção por microsporídeos. Esses esporos são então consumidas por seres humanos ou inalada.
Uma vez dentro de uma célula, a microsporídeos desenvolver e multiplicar, produzir mais esporos. Os esporos infecciosos são, então, liberadas quando a célula se expande e explode.

Sintomas da microsporidiose?
Embora microsporidiose pode ocorrer em pessoas com sistema imunológico normal, é muito raro. Os sintomas da microsporidiose ocorrer principalmente em pessoas com deficiência do sistema imunológico, tais como indivíduos infectados pelo HIV e de órgãos transplantados destinatários. Microsporidiosis cão cause intestinal, pulmão, rim, cérebro, seio, músculo, ou doença ocular.
Sintomas intestinais causadas por infecção microsporídios incluem diarréia crônica, desperdiçando, malabsorção, e doença da vesícula biliar. Em pacientes com SIDA, a diarréia crônica pode ser extremamente debilitante e carrega um risco de mortalidade significativo. A maioria dos casos de microsporidiose intestinal em pacientes com SIDA são causados por Enterocytozoon bieneusi.
Sintomas pulmonares podem incluir tosse e dificuldade, dificuldade para respirar. Uma radiografia de tórax pode mostrar sinais de inflamação, fluido, ou cavidades nos pulmões.
Microsporidiose pode causar infecção no trato urinário, insuficiência renal, inflamação da bexiga, e perfuração do intestino. Microsporidia também pode se espalhar por todo o corpo de causar inflamação no cérebro, pâncreas, seios, e tecido muscular.
Infecção ocular com microsporídios pode causar inflamação da córnea e conjuntiva (ceratoconjuntivite). Os sintomas de microsporidiose ocular podem incluir dores oculares, vermelhidão dos olhos, ou visão embaçada.

Diagnóstico de microsporidiose
Existem vários testes disponíveis para diagnosticar a infecção microsporidia. O exame microscópico de amostras coradas de fluidos corporais, amostras fecais, principalmente, permite o diagnóstico rápido, embora as espécies de microsporídeos exactas não podem ser identificados. As amostras de urina pode também ser usado para detectar quando os esporos do rim e / ou da bexiga estão envolvidos.
Um poderoso microscópio, chamado um microscópio electrónico de transmissão, é necessária para identificar as espécies de microsporídios. Contudo, esta forma de teste é caro, e não está disponível para a utilização de rotina em todos os laboratórios.
Outros métodos, tais como imunofluorescência e reação em cadeia da polimerase (PCR) teste, também pode identificar a infecção microsporidia no ambiente de pesquisa em laboratório.
Finalmente, exames de sangue e exames de imagem também pode ajudar na detecção de microsporidiose.

Tratamento de microsporidiose?
O tratamento de microsporidiose é geralmente conseguida com medicamentos e cuidados de suporte. Dependendo do local da infecção e as espécies de microsporídeos envolvidos, medicamentos diferentes são utilizados. Os medicamentos mais comumente usados para microsporidiose incluem albendazol (Albenza) e fumagillin.
Para pacientes com diarréia, administração de fluidos por via intravenosa e reposição de eletrólitos pode ser necessário. Regimes alimentares e nutricionais também podem ajudar com diarréia crônica. Finalmente, melhoria da função do sistema imunitário com a terapia anti-retroviral em indivíduos infectados com VIH pode também conduzir a uma melhoria dos sintomas.

Prevenção de microsporidiose
Para pacientes com deficiência do sistema imunológico, lavar as mãos frequentemente e limitando a exposição a animais suspeitos de estarem infectados com microsporídios é recomendado.

Não há terapia eficaz. O tratamento com o albendazol (400 mg, duas vezes ao dia), em associação com o metronidazol (750 mg, três vezes ao dia), por período de quatro a seis semanas apresenta resultados satisfatórios em menos de 25% dos pacientes.

Tratamento da isosporíase

Tem se dado preferência para a associação de 160 mg de trimetoprim e de 800 mg de sulfametoxazol, duas vezes ao dia, por 21 dias consecutivos. Outra opção corresponde à pirimetamina (25 mg, três vezes ao dia) e ácido folínico (10 mg/dia) por 21 dias.

Tratamento da blastocistose

Blastocystis hominis é protozoário cuja patogenicidade ainda precisa ser estabelecida. A terapia é indicada quando for detectado em paciente com distúrbios digestivos, na ausência de outras causas. Metronidazol é a droga de escolha, em doses diárias que variam de 0,75 a 1,5 g, por sete dias. As formas císticas, que são resistentes ao metronidazol, exigem cisticidas (como o iodoquinol) para evitar recidivas e interromper a transmissão.

 

O tratamento atual é baseado no Mebendazol, Albendazol e Nitazoxanida.

Mebendazol
Ação: é ativo contra Ascaris lumbricoides, Necator americanus, Ancylostoma duodena/e, Trichuris trichiura e Enterobius vermiculares. Também demonstra atividade, em doses elevadas, contra Taenia solium e Taenia saginata, Echinococcus granu/osus (hidatidose) e Echinococcus mu/ti/ocu/aris.

Posologia e Administração de Mebendazol
Cada comprimido contém: mebendazol 100 mg.
Infestações por Ascaris lumbricoides; Necator americanus; Trichuris trichiura; Enterobius vermicularis; Ancylostoma duodenale: um comprimido de 100 mg 2 vezes ao dia durante 3 dias consecutivos, independente de peso corpóreo.
Infestações por aenia sp.; Hymenolepis nana: 2 comprimidos de 100 mg, 2 vezes ao dia durante 3 dias consecutivos, independente do peso corpóreo. Os comprimidos podem ser mastigados, deglutidos com água, triturados ou dissolvidos. – Superdosagem: no caso de superdosagem, cólicas abdominais, náuseas, vômitos e diarréia podem ocorrer. Lavagem gástrica com solução de permanganato de potássio a 20% pode ser feita.

Tolerância
Podem ser observadas durante o uso, diarrela, dor abdominal, leucopenia, agranulocitose e hipospermia.
Deve ser evitado durante a gestação pelos possíveis riscos fetais em animais, entretanto, considerar a indicação levando-se em conta riscos e benefícios.
Não é necessário ajuste no caso de diminuição da função renal. O uso em pacientes idosos (acima de 65 anos) requer monitoramento.
Durante a administração concomitante de mebendazol em pacientes recebendo altas doses terapêuticas de cimetidina, observa-se a redução de absorção e eliminação

Albendazol
Ação: é ativo contra Ascaris lumbricoides, Ancylostoma sp., Trichuris trichiura, Strongyloides stercoralis, Giardia duodenailis, Strongyloides stercoralis, Enterobius vermicularis, cistos de Echinococcus sp. (hidatidose) e Taenia sp, incluindo neurocisticercose. É ativo também contra lVIicrosporidium sp (Enterocytozoon bienesusi e Septata intestinais).

Posologia e Administração do Albendazol
Cada comprimido contém: mebendazol 400 mg.
Infestações por Ascaris lumbricoides; Necator americanus; Trichuris trichiura; Enterobius vermicularis; Ancylostoma duodenale: comprimido de 400 mg em dose única.
Infestações por Strongyloides stercoralis; Taenia sp.; Hymenolepis nana: comprimido de 400 mg por dia durante 3 dias
Infestações por Giardia lamblia, G. duodenalis, G. intestinalis: comprimido de 400 mg por dia durante 5 dias.
No caso de infestação por Enterobius vermicularis, fale com seu médico, que dará orientações sobre medidas de higiene tanto para você quanto para as pessoas que utilizam a mesma moradia.
No caso de contaminação comprovada por Hymenolepis nana, você também deve conversar com o médico, que pode recomendar um segundo ciclo de tratamento.

Tolerância
Em geral, quando administrado em dose única, é bem tolerado, mas pode causar vertigem, cefalela, dor epigástrica, sensação de boca seca, febre, prurido, vômitos e diarreia. No uso prolongado podem ocorrer hepatite e icterícia obstrutiva, que são reversíveis com a suspensão do tratamento. Como os demais derivados benzimidazólicos, o albendazol mostrou-se teratogênico e embriotóxico em animais de laboratórios (camundongos e coelhos). Por esta razão, albendazol não deve ser usado durante a gravidez ou em mulheres com possibilidade de engravidar, hipersensibilidade ao albendazol ou a qualquer componente do produto. Assim, deve-se assegurar, antes de utilizar o produto, de que não há processo de gravidez para mulheres em idade fértil (15 – 40 anos), recomendando a sua administração no período de sete dias após o início da menstruação.
Considerando que ainda não estão disponíveis informações suficientes sobre o uso do medicamento em crianças com menos de dois anos de idade, não se recomenda administrar albendazol nesta faixa etária.

Nitazoxanida
Ação: é ativo contra Entamoeba histolytica/díspar, Giardia lamblia (e Giardia duodenais resistente ao metronidazo/albendazol), Enterobius vermicularis, Ascaris lumbricoides, Strongyloides stercoralis, Ancilostoma, Trichuris trichiura, Taenia sp (incluindo as resistentes a niclosamida e praziquantel), Hymenolepis rere, Blastocystis hominis, Balandidium cou, Isospora belli, Cryptosproidium parvum e todas as suas espécies que acometem o homem, além de Trichomonas vaginalis e bactérias anaeróbicas ou microaerófilas, como Clostridium perfrigens e Helicobacter pylori. Tem sido demonstrada uma eficácia global contra helmintos de protozoáríos que variam entre 85 e 97%.
O tratamento foi efetivo em 71-100% na eliminação de infecções por Entamoeba histolytica/E. díspar, Giardia duodenalis, Blastocystis hominis, Isospora belli, Enterobius vermicularis, Ascaris lumbricoides, Trichuris trichiura e Hymenolopis nana. Tarnbém tern sido observada ação em gastroenterites virais, incluindo as causadas por Rotqvjrus e Norovírus (diarreia do-viajante), na dose de 500 mg, duas vezes ao dia por três dias, com boa segurança e redução da duração da diarreia.
Infecções parasitárias mistas
Um estudo para avaliar a eficácia e a segurança da nitazoxanida como agente único para tratamento de um amplo espectro de infecções parasitárias mistas por protozoários e helmintos, foi conduzido no México. Três amostras fecais de 1.824 adultos e crianças foram rastreadas para presença de oocistos, cistos, trofozoítas, ovos ou larvas de protozoários ou helmintos intestinais. Duzentos e quarenta e seis adultos e crianças infectadas com pelo menos um protozoário e dois helmintos receberam 7,5 mg/kg de nitazoxanida (500 mg para adultos e 200 mg para crianças com menos de 12 anos de idade) a cada doze horas, por três dias consecutivos.

Nitazoxanida Posologia

A dose máxima recomendada é de dois comprimidos de 500 mg (1000 mg de nitazoxanida) ao dia.
Este medicamento (comprimido revestido) não deve ser partido, aberto ou mastigado.

Tolerância
Podem ser observadas durante uso discretas alterações gastrointestinais tais como mal-estar abdominal inespecífica e dor tipo cólica, assim como hiperidrose e alterações do apetite (diminuição ou perda).
Entretanto, outros sinais ou sintomas são incomuns ou raros, o que dá uma boa segurança no seu uso.
Deve ser administrado com cautela em pessoas com diabetes (por conter açúcar), doença hepática, renal ou se houver uso de anticoagulantes (cumarínicos, como a varfarina), e ou com anticonvulsivante (fenotoína). Não apresenta interações com o citocromo CYP 450, não havendo, portanto, contraindicação quando usado concomitantemente com outros medicamentos. Pode alterar a cor da urina (amarelo esverdeado), mas, sem significados clínicos. Seu emprego na gravidez e lactação deverá levar em consideração os riscos versus benefícios.
O comprimido revestido é contraindicado para menores de 12 anos.

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14. http://www.infoescola.com/doencas.
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