Vacina HPV

Vacina contra papilomavírus humano – HPV

​O papilomavírus humano (HPV) é um patógeno sexualmente transmissível que causa doença anogenital e orofaríngea em homens e mulheres. A infecção viral persistente com genótipos de HPV de alto risco causa praticamente todos os cânceres do colo do útero. Os genótipos de alto risco para HPV (ou “tipos”) 16 e 18 causam aproximadamente 70% de todos os cânceres de colo uterino em todo o mundo, e os tipos 31, 33, 45, 52 e 58 causam 20% adicionais. ​

Os tipos 16 e 18 do HPV também causam quase 90% dos cânceres anais e uma proporção significativa de câncer de orofaringe, câncer vulvar e vaginal e câncer de pênis. Os tipos 6 e 11 do HPV causam aproximadamente 90% das verrugas anogenitais. As vacinas foram desenvolvidas para proteger contra a infecção pelo HPV e consequentemente o desenvolvimento das doenças associadas ao HPV. ​


➧ Vacinas disponíveis no Brasil contra o papilomavírus humano (HPV)
➧ Programa de vacinação do SUS contra papilomavírus humano (HPV)
➧ Indicações da vacinação contra o papilomavírus humano (HPV), mas não cobertas pelo SUS
➧ Contraindicações da vacina contra papilomavírus humano (HPV)
➧ Momento ideal da vacinação contra papilomavírus humano (HPV)
➧ Vacina para o HPV em pessoas com verrugas ou neoplasia intraepitelial anal
➧ Precauções da vacina contra o papilomavírus humano (HPV)
➧ Eventos adversos da vacina para o papilomavírus humano (HPV)
➧ Duração da proteção da vacina para o papilomavírus humano (HPV)
➧ Eficácia da vacinação para o papilomavírus humano (HPV)


Vacinas disponíveis no Brasil contra o papilomavírus humano (HPV)
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​Existem três vacinas contra HPV aprovadas e registradas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e que estão comercialmente disponíveis: a vacina bivalente, da empresa GlaxoSmithKline (nome comercial Cervarix), que confere proteção contra HPV 16 e 18; a vacina quadrivalente, da empresa Merck Sharp & Dohme (nome comercial Gardasil), que confere proteção contra HPV 6, 11, 16 e 18; e a vacina 9-valente, da empresa Merck Sharp & Dohme (nome comercial Gardasil 9) que inclui os subtipos 31, 33, 45, 52 e 58 do HPV, além dos subtipos 6, 11, 16 e 18. ​

No Brasil, o Ministério da Saúde adotou a vacina quadrivalente para a proteção, como descrito abaixo. A vacinação de homens e mulheres é mais eficaz na redução da infecção e das doenças por HPV do que vacinando apenas as mulheres. ​

Programa de vacinação do SUS contra papilomavírus humano (HPV)

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O esquema de dosagem recomendado depende da idade do paciente no início da vacina:

1- Para meninas de 9 a 14 anos (14 anos, 11 meses e 29 dias) e meninos de 11 a 14 anos de idade (14 anos, 11 meses e 29 dias). Administração de 2 (duas) doses (0 e 6 meses), respeitando o intervalo mínimo de seis meses entre as doses (0 a 6 e 6 a 12 meses). Se a segunda dose foi administrada menos de cinco meses após a primeira, a dose deve ser repetida no mínimo 12 semanas após a segunda dose e no mínimo cinco meses após a primeira.
Estudos descobriram que duas doses da vacina em indivíduos jovens têm imunogenicidade semelhante em comparação com três doses, tanto para a proteção contra os cânceres quanto para as verrugas genitais.

2- Para pessoas vivendo com HIV/Aids e indivíduos submetidos a transplantes de órgãos sólidos, de medula óssea e pacientes oncológicos, entre nove e 26 anos de idade. O esquema vacinal consiste na administração de 3 (três) doses (0, 2 e 6 meses).
Pessoas vivendo com HIV/Aids deverão receber a vacina independentemente do CD4 e preferencialmente em terapia antirretroviral.
Os indivíduos a serem submetidos a transplantes de órgãos sólidos devem receber a vacinação HPV no pré-transplante, seguindo o esquema de três doses (0, 2 e 6 meses) entre as faixas etárias de 9 e 26 anos de idade, em homens e mulheres. Contudo pode-se completar o esquema após o transplante, devendo seguir um período de 6 a 12 meses subsequente a este procedimento médico.

3- Nos pacientes oncológicos. Administrar a vacina HPV quadrivalente, duas semanas antes de iniciar o tratamento quimioterápico ou três a seis meses após o seu término.

4- Indivíduos que iniciam a série de vacinas aos 15 anos de idade ou mais. Três doses da vacina contra o HPV devem ser administradas em 0, 2 e 6 meses.

​Intervalo mínimo entre as doses ​contra papilomavírus humano (HPV)

D1 para D2
1 mês (30 dias)
D2 para D3
4 meses (120 dias)
D1 para D3
6 meses (180 dias)

Os intervalos mínimos entre as duas primeiras doses são de quatro semanas, entre a segunda e a terceira doses são de 12 semanas e entre a primeira e a terceira doses são de cinco meses. Se uma dose foi administrada em um intervalo mais curto do que o recomendado, ela deve ser repetida no intervalo correto, respeitando o intervalo entre a primeira e a última dose.

A vacina contra o HPV pode ser administrada com segurança ao mesmo tempo que outras vacinas apropriadas à idade em um local anatômico diferente. A administração da vacina contra o HPV ao mesmo tempo que certas outras vacinas (ou seja, vacina contra tétano, coqueluche acelular e difteria e vacina inativada da poliomielite) não parece afetar adversamente a resposta imune à vacina contra o HPV ou a vacina concomitante.

Indicação da vacina HPV quadrivalente (SUS) conforme possíveis situações vacinais existentes. ​

(a) Se previamente recebeu a primeira dose da vacina bivalente na clínica privada: o ideal é manter o esquema com a mesma vacina (bivalente). Mas se a vacina usada na dose anterior não estiver disponível, recomenda-se administrar a vacina quadrivalente para completar o esquema, mas todos os esforços devem ser para a administração da mesma vacina para completar o esquema vacinal.

(b) Se previamente recebeu a primeira dose da vacina quadrivalente na clínica privada: administrar a segunda dose com a vacina quadrivalente no SUS, respeitando o intervalo mínimo de 06 meses entre as doses.

(c) Se previamente recebeu a primeira dose da vacina quadrivalente no SUS e, por opção, queira receber a segunda dose em clínica privada para seguir o esquema 0, 2 e 6 meses: não há impedimento em completar o esquema na clínica privada.

(d) Se previamente recebeu a primeira dose e a segunda dose da vacina quadrivalente na clínica privada e, por opção, queira receber a terceira dose conforme o esquema 0, 2 e 6 meses: considerar intervalo mínimo de 6 meses entre a primeira dose e a terceira dose.

(e) Se já recebeu a vacina HPV, mas desconhece o tipo e não tem o comprovante: considerar não vacinada. Administrar a primeira dose da vacina quadrivalente e agendar a segunda dose, seis meses após essa dose.

(f) Se recebeu a primeira dose da vacina quadrivalente há mais de 6 meses: administrar a segunda dose da vacina quadrivalente.

(g) Se já fez o esquema completo da vacina bivalente: não revacinar com a quadrivalente.

(h) Se já recebeu a primeira dose da vacina quadrivalente aos 14 anos ou mais de idade: administrar a segunda dose com um intervalo mínimo de seis meses e máximo de até 12 meses.

(i) Quem já completou 14 anos e recebeu a primeira dose e a segunda dose da vacina quadrivalente: considerar vacinado.

Indicações da vacinação contra o papilomavírus humano (HPV), mas não cobertas pelo SUS

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1- Para adultos com 27 anos ou mais, a vacinação de recuperação não é recomendada rotineiramente; a decisão de vacinar deve ser individualizada. A probabilidade de exposição aos tipos de HPV contidos nas vacinas aumenta com a idade e, portanto, o benefício da população e o custo-efetividade da vacinação contra o HPV são menores nas pessoas com mais de 27 anos. ​

No entanto, aqueles sem experiência sexual anterior ou com um número limitado de parceiros sexuais anteriores, o risco de exposição prévia ao HPV pode ser muito baixo. A vacina deve ser oferecida e reforçado caso eles tenham um risco futuro de exposição ao HPV (por exemplo, novos parceiros sexuais esperados); estudos sugeriram que a vacinação contra o HPV é imunogênica, eficaz e segura em mulheres com mais de 25 anos. ​

2- É possível que alguns indivíduos com mais de 45 anos também se beneficiem da vacinação, mas o benefício ainda não foi bem estudado.

Contraindicações da vacina contra papilomavírus humano (HPV)

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 A vacina HPV quadrivalente é contraindicada e, portanto, não deve ser administrada nas pessoas que desenvolveram sintomas indicativos de hipersensibilidade grave após receber uma dose da vacina.

 A vacina é contraindicada durante a gestação, uma vez que não há estudos conclusivos em mulheres grávidas até o presente momento. Caso a menina/adolescente engravide após o início do esquema vacinal, recomenda-se que as doses subsequentes sejam adiadas até o período pós-parto. Caso a vacina seja administrada inadvertidamente durante a gravidez, nenhuma intervenção adicional é necessária, somente o acompanhamento pré-natal adequado.

 A vacina HPV quadrivalente é produzida em Scharomyces cerevisiae sendo, portanto, contraindicada para pessoas com história de hipersensibilidade comprovada imediata a leveduras.

Momento ideal da vacinação contra papilomavírus humano (HPV)

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​Dentro da faixa etária recomendada, o momento ideal para a vacinação contra o HPV é antes do início da atividade sexual. A eficácia da vacina em homens e mulheres é maior entre as pessoas que ainda não foram infectados pelo HPV.

Pessoas sexualmente ativas devem ser vacinados de acordo com as indicações específicas por idade. A infecção pelo HPV detectada pelo Papanicolaou, presença de verrugas genitais e outros exames NÃO é contra indicação à vacinação contra o HPV. No entanto, a imunização é menos eficaz para aqueles que já foram infectados com um dos tipos de HPV presentes na vacina.

Eficácia da vacina para o HPV em pessoas com verrugas ou neoplasia intraepitelial anal

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Nenhuma das vacinas disponíveis contra o HPV trata ou acelera a eliminação do vírus nas pessoas infectadas pelos tipos de HPV presentes nas vacinas, assim como não interfere na evolução das doenças relacionadas já instaladas, câncer do colo do útero, lesões displásicas no colo do útero, vulvares e vaginais de alto grau ou de verrugas genitais. Assim a vacina para o HPV é destinada exclusivamente à utilização preventiva.

Uma história de verrugas genitais, um resultado positivo no teste do HPV ou citologia cervical, vaginal, vulvar ou anal anormal indica uma infecção prévia pelo HPV, mas não necessariamente com os tipos de HPV incluídos nas vacinas. A vacinação ainda é recomendada em indivíduos dentro da faixa etária recomendada que apresentam evidências de infecção prévia pelo HPV, pois ainda pode fornecer proteção contra infecções por tipos de HPV da vacina contra o HPV ainda não adquiridos.

No entanto, esses pacientes devem ser avisados ​​de que a vacina não terá efeito terapêutico na infecção preexistente pelo HPV ou na doença associada ao HPV, e o benefício potencial da vacinação contra o HPV não é tão grande como se eles tivessem sido vacinados antes de seu início sexual.

Precauções da vacina contra o papilomavírus humano (HPV)

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 A vacina deve ser adiada em pessoas que estejam com doenças febris agudas, moderadas ou graves. Contudo, a presença de uma infecção leve, como é o caso de resfriado ou de febre baixa, não constitui motivo para o adiamento da vacinação.

 Trombocitopenia: a vacina deve ser administrada com precaução em pessoas com trombocitopenia ou qualquer distúrbio de coagulação pelo risco de ocorrer sangramento ou hematoma após a injeção intramuscular.

 Pessoas com história prévia de doenças neurológicas, tais como crises convulsivas deverão ter avaliação médica anterior e apresentarem prescrição do médico assistente para realização da vacinação.

 Não há evidência do uso durante a lactação.

Eventos adversos da vacina contra o papilomavírus humano (HPV)

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Reações locais

 Dor no local da aplicação, edema e eritema de intensidade moderada.

Manifestações sistêmicas
 Cefaleia;
 Febre de 38ºC ou mais;
 Síncope (ou desmaio);
 Reações de hipersensibilidade.

A síncope (desmaio) pode ocorrer em adolescentes e adultos jovens. É a síncope vasovagal, particularmente comum em pessoas com alguma labilidade emocional. Geralmente, há algum estímulo desencadeante como dor intensa, expectativa de dor ou um choque emocional súbito. Vários fatores, tais como jejum prolongado, medo da injeção, locais quentes ou superlotados, permanência de pé por longo tempo e fadiga, podem aumentar a probabilidade de sua ocorrência. Este quadro clínico não é atribuído exclusivamente à vacina HPV quadrivalente, já que pode ser observado na administração de outras vacinas ou de outros medicamentos injetáveis.

Duração da proteção da vacina para o papilomavírus humano (HPV)

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As vacinas contra o HPV mostraram excelente duração da proteção pelos períodos em que foram estudadas. A proteção contínua contra as neoplasias de alto grau e os cânceres do colo de útero, vaginal, vulvar, anal e orofaríngeo foram observadas por pelo menos 10 anos após a vacinação entre as participantes do estudo. Níveis persistentes de anticorpos e proteção contra a infecção pelo HPV também foram relatados até 10 anos após a vacinação. ​
Eficácia da vacinação para o papilomavírus humano (HPV)

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Genital warts in young Australians five years into national human papillomavirus vaccination programme: national surveillance data. Ali H, Donovan B, Wand H, Read TR, Regan DG, Grulich AE, Fairley CK, Guy RJ. BMJ. 2013 Apr 18;346:f2032. doi: 10.1136/bmj.f2032.

A partir de 2017 – vacinação de 80% das meninas de 12 a 13 anos;
De 2007 a 2009 – vacinação de 65% das meninas de 13 a 18 anos;
De 2007 a 2009 – vacinação de 50% das mulheres de 18 a 26 anos;
Mulheres mais velhas e homens, tanto heterossexuais como homossexuais, não foram vacinados.
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Os resultados encontrados foram impressionantes:
1- Mulheres examinadas 3 anos depois obtiveram uma redução de 92% da incidência dos condilomas, sendo que os 0,8% com condilomas não haviam sido vacinadas. Portanto em 2011, nenhuma das mulheres vacinadas com menos de 21 anos desenvolveram os condilomas, eficácia de 100%.
2- Já nas mulheres de 21 a 30 anos, que nem todas foram vacinadas, a redução foi significativa, embora menor.
3- Mulheres acima de 30 anos não foram vacinadas e não houve redução.
4- Homens não foram vacinados, mas os com menos de 21 anos tiveram uma redução de 82% devido ao efeito rebanho. Os homens que mantiveram relação com mulheres vacinadas não contraíram a infecção pelo HPV.
5- Homens acima dos 21 anos mantiveram relação com grupos de mulheres parcialmente vacinadas, houve alguma redução.
6- Homens que mantiveram relação com grupos de mulheres não vacinadas, não houve redução.

Isenção de responsabilidade

As informações contidas neste artigo são apenas para fins educacionais e não devem ser usadas para diagnóstico ou para orientar o tratamento sem o parecer de um profissional de saúde. Qualquer leitor que está preocupado com sua saúde deve entrar em contato com um médico para aconselhamento.